UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Lactente do sexo masculino de 6 meses com abaulamento inguinoescrotal ao choro, redutível ao exame físico. A conduta é:
Hérnia inguinal em lactente → Diagnóstico clínico = Indicação de cirurgia eletiva precoce.
Diferente da hérnia umbilical, a hérnia inguinal em crianças não regride espontaneamente e apresenta alto risco de encarceramento, exigindo correção cirúrgica logo após o diagnóstico.
A hérnia inguinal é uma das patologias cirúrgicas mais comuns na infância, ocorrendo em até 3-5% dos recém-nascidos a termo e até 30% dos prematuros. A fisiopatologia baseia-se na patência do processo vaginal (conduto peritônio-vaginal), que deveria se obliterar após a descida testicular. Quando permanece aberto, permite a passagem de conteúdo abdominal para o canal inguinal. A urgência na correção cirúrgica (hernioplastia inguinal, geralmente pela técnica de Potts - ligadura alta do saco herniário) justifica-se pelo risco de encarceramento, que é inversamente proporcional à idade do paciente. Em lactentes menores de 6 meses, esse risco pode chegar a 30%. Uma vez diagnosticada, a cirurgia deve ser programada para o período eletivo mais próximo, visando evitar a necessidade de uma intervenção de emergência em condições de sofrimento isquêmico tecidual.
Diferente dos adultos, a hérnia inguinal na criança é quase sempre indireta e decorre da falha no fechamento do conduto peritônio-vaginal. Não há resolução espontânea e o risco de encarceramento e estrangulamento (especialmente de alças intestinais ou gônadas) é elevado, particularmente em lactentes jovens nos primeiros meses de vida.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de abaulamento intermitente na região inguinal ou inguinoescrotal que surge ao choro ou esforço. Ao exame físico, pode-se notar o abaulamento ou o 'sinal da luva de seda' (espessamento do cordão espermático). Exames de imagem como USG são reservados apenas para casos de dúvida diagnóstica.
A hérnia umbilical na criança frequentemente fecha sozinha até os 2-4 anos de idade, permitindo conduta expectante. Já a hérnia inguinal nunca regride espontaneamente e o risco de complicações supera os riscos anestésicos da cirurgia eletiva, que deve ser agendada o quanto antes após o diagnóstico.
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