MedEvo Simulado — Prova 2026
Seu Geraldo, 62 anos, aposentado, comparece à consulta ambulatorial queixando-se de um abaulamento na região inguinal direita que surgiu há cerca de seis meses. Relata que a tumoração aumenta de tamanho ao realizar esforços físicos, como carregar vasos de plantas no jardim, e desaparece completamente quando está em repouso ou ao deitar-se. Nega episódios de dor incapacitante, náuseas, vômitos ou alterações no hábito intestinal. Ao exame físico, o paciente apresenta-se em bom estado geral, com sinais vitais estáveis. Observa-se um abaulamento em região inguinal direita, indolor à palpação, que se torna evidente com a manobra de Valsalva e é facilmente redutível de forma manual. Não há alterações no conteúdo escrotal ou sinais de sofrimento isquêmico da pele. O paciente é hipertenso controlado e não possui outras comorbidades ou cirurgias abdominais prévias. Com base no quadro clínico apresentado, a técnica cirúrgica considerada o padrão-ouro para o tratamento deste paciente é:
Hérnia inguinal sintomática no adulto → Hernioplastia de Lichtenstein (padrão-ouro tension-free).
A técnica de Lichtenstein utiliza uma tela de polipropileno para reforçar a parede posterior sem tensão, resultando em menores taxas de recidiva e dor em comparação a técnicas de sutura.
As hérnias inguinais resultam de uma fraqueza na parede abdominal, especificamente no triângulo de Hesselbach (diretas) ou no anel inguinal profundo (indiretas). O tratamento definitivo é cirúrgico para evitar complicações como o encarceramento e o estrangulamento. A evolução das técnicas de reparo com tensão (como Bassini e Shouldice) para as técnicas sem tensão (tension-free) revolucionou o prognóstico cirúrgico. A técnica de Lichtenstein, ao utilizar uma prótese (tela), permite uma recuperação mais rápida e é a referência para comparação com as abordagens laparoscópicas (TAPP e TEP), sendo amplamente preferida na cirurgia aberta.
A técnica de Lichtenstein é considerada o padrão-ouro (gold standard) para o reparo de hérnias inguinais abertas devido à sua baixa taxa de recorrência (inferior a 1-4%), facilidade de aprendizado e por ser 'tension-free'. O uso da tela de polipropileno reforça a parede posterior do canal inguinal sem criar tensão nos tecidos adjacentes.
A técnica de Bassini é uma herniorrafia primária que aproxima o tendão conjunto ao ligamento inguinal com suturas, gerando tensão. Já a técnica de Lichtenstein é uma hernioplastia que utiliza uma tela sintética para cobrir o defeito, evitando a tensão e reduzindo drasticamente a dor pós-operatória e o risco de recidiva.
A observação vigilante pode ser considerada em pacientes masculinos com hérnias inguinais minimamente sintomáticas ou assintomáticas. No entanto, para pacientes com abaulamento progressivo ou sintomas que interferem na atividade diária, como o caso do Sr. Geraldo, a cirurgia eletiva é a conduta recomendada.
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