UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Paciente feminina, 56 anos, refere quadro de distensão abdominal, parada de eliminação de flatos e fezes há 3 dias e vômitos. Ao exame físico se apresenta corada, desidratada, frequência cardíaca 110 bpm, pressão arterial 110 x 70 mmHg, abdome distendido e sem sinais de irritação peritonial. Ao exame da região inguinal esquerda, foi visualizado abaulamento com sinais flogísticos na pele. US evidenciou hérnia inguinal esquerda. Qual a melhor conduta a ser tomada?
Hérnia inguinal com sinais flogísticos e obstrução intestinal → cirurgia de urgência por inguinotomia.
Pacientes com hérnia inguinal que apresentam sinais de obstrução intestinal e flogose local sugerem encarceramento ou estrangulamento. A conduta é cirúrgica de urgência, preferencialmente por inguinotomia, permitindo a correção da hérnia e, se necessário, ressecção intestinal.
A hérnia inguinal estrangulada é uma complicação grave da hérnia inguinal, caracterizada pela isquemia e necrose do conteúdo herniário, geralmente uma alça intestinal. É uma emergência cirúrgica que exige reconhecimento e intervenção rápidos para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A epidemiologia das hérnias inguinais é alta, e a complicação de estrangulamento, embora menos comum, é um desafio diagnóstico e terapêutico crucial para residentes. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de dor intensa e súbita na região herniária, sinais flogísticos locais (eritema, calor, edema) e sintomas de obstrução intestinal (distensão abdominal, vômitos, parada de eliminação de flatos e fezes). A palpação pode revelar uma massa irredutível e dolorosa. A fisiopatologia envolve o encarceramento do conteúdo herniário, levando à compressão vascular e subsequente isquemia. O tratamento é invariavelmente cirúrgico de urgência. A abordagem preferencial é a inguinotomia, que permite a exploração do saco herniário, avaliação da viabilidade da alça intestinal e, se necessário, ressecção do segmento necrótico e herniorrafia. A laparotomia exploradora por incisão mediana é reservada para casos de dúvida diagnóstica, peritonite difusa ou quando há suspeita de múltiplas alças envolvidas ou comprometimento intra-abdominal extenso.
Sinais de hérnia estrangulada incluem dor intensa e persistente na região da hérnia, sinais flogísticos locais (eritema, calor, edema), e sintomas de obstrução intestinal como distensão abdominal, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes.
A manobra de redução manual (táxis) é contraindicada em hérnias estranguladas devido ao risco de perfurar uma alça intestinal já isquêmica ou necrótica, ou de reduzir a alça inviável para dentro da cavidade abdominal, mascarando a complicação e atrasando o tratamento adequado.
A abordagem cirúrgica preferencial é a inguinotomia, que permite a exploração direta do saco herniário, avaliação da viabilidade intestinal e, se necessário, ressecção de alça necrótica e correção da hérnia, tudo através da mesma incisão.
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