USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 63 anos de idade, foi admitido no Serviço de Emergência com dor na região inguinal à direita e com abaulamento local há 8 horas, acompanhados de distensão abdominal e dois episódios de vômitos. Tem antecedente de doença pulmonar obstrutiva crônica em uso de oxigênio domiciliar. Ao exame físico, encontrava-se em regular estado geral e desidratado, ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações; abdome distendido, sem dor à palpação profunda e sem sinais de irritação peritoneal; região inguinal direita com abaulamento local endurecido de 4 cm, sem hiperemia e doloroso à palpação.Exames laboratoriais:Hb: 17,1 g/dLHt: 51%Leucograma: 8.274/mm³Creatinina: 1,9 mg/dLUreia: 91 mg/dLAlém da hidratação e suporte clínico, qual é a melhor conduta neste caso?
Hérnia inguinal com sinais de estrangulamento (dor intensa, vômitos, distensão, endurecimento) → Cirurgia de urgência (inguinotomia).
Um paciente com hérnia inguinal que apresenta dor intensa, abaulamento endurecido, distensão abdominal e vômitos, especialmente com sinais de desidratação e alteração renal, sugere estrangulamento. A conduta é cirurgia de urgência (inguinotomia) para evitar necrose intestinal.
A hérnia inguinal é uma condição comum, mas pode evoluir para uma emergência cirúrgica quando ocorre o encarceramento e, posteriormente, o estrangulamento. O estrangulamento da hérnia inguinal é caracterizado pelo comprometimento vascular do conteúdo herniado, levando à isquemia e necrose tecidual, geralmente de uma alça intestinal. É uma condição grave que requer intervenção cirúrgica imediata para evitar complicações como peritonite, sepse e óbito. O quadro clínico de uma hérnia estrangulada inclui dor intensa e súbita na região inguinal, um abaulamento local endurecido e irredutível, e sinais de obstrução intestinal, como náuseas, vômitos e distensão abdominal. Pacientes com comorbidades, como DPOC, podem ter um risco aumentado de complicações. A presença de desidratação e alterações renais (ureia e creatinina elevadas) indica a gravidade do quadro e a necessidade de estabilização clínica concomitante à preparação para a cirurgia. Diante da suspeita de hérnia inguinal estrangulada, a conduta mais adequada é a cirurgia de urgência, geralmente uma inguinotomia. Esta abordagem permite a exploração da hérnia, a avaliação da viabilidade do conteúdo herniado e a correção do defeito. A tentativa de redução manual é contraindicada em casos de estrangulamento devido ao risco de reduzir uma alça necrótica para a cavidade abdominal, mascarando a condição e atrasando o tratamento definitivo.
Os sinais incluem dor intensa e súbita na região da hérnia, abaulamento endurecido e irredutível, acompanhados de sintomas de obstrução intestinal como náuseas, vômitos e distensão abdominal.
Hérnia encarcerada é aquela cujo conteúdo não pode ser reduzido manualmente. Hérnia estrangulada é uma hérnia encarcerada com comprometimento vascular do conteúdo herniado, levando à isquemia e necrose.
A inguinotomia permite o acesso direto à hérnia, a avaliação da viabilidade do conteúdo herniado e a ressecção de alças intestinais necróticas, se necessário, sendo a abordagem mais segura e eficaz para resolver a emergência.
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