USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Homem de 48 anos de idade, procurou assistência em Pronto Atendimento Hospitalar, queixando-se de que há aproximadamente 10 (dez) horas passou a ter dor e abaulamento inguinal à direita que não reduziu espontaneamente. Depois disto, passou a ter distensão abdominal e parada de eliminação de flatos, além de náusea e um episódio de vômito. Negava febre. Ao exame físico em bom estado geral e abaulamento inguinal à direita, sem sinais de hiperemia no local. Você, como cirurgião, está atendendo o paciente, e chega à conclusão de que se trata de uma hérnia inguinal.Com base nessas informações indique a conduta correta a ser tomada:
Hérnia inguinal irredutível + sinais de obstrução intestinal (dor, vômitos, parada de flatos) > 6h → Estrangulamento, cirurgia de urgência.
A presença de dor e abaulamento inguinal irredutível, associada a sinais de obstrução intestinal como distensão abdominal, náuseas, vômitos e parada de eliminação de flatos por mais de 6-8 horas, indica estrangulamento da hérnia. Esta é uma emergência cirúrgica que requer intervenção imediata para evitar necrose intestinal e sepse.
A hérnia inguinal é uma condição comum na prática cirúrgica, e suas complicações, como o encarceramento e o estrangulamento, são temas frequentes em provas de residência. O estrangulamento representa uma emergência cirúrgica, exigindo reconhecimento rápido e intervenção imediata para evitar morbidade e mortalidade significativas. A fisiopatologia envolve o aprisionamento de uma alça intestinal no saco herniário, com comprometimento vascular progressivo. O diagnóstico de estrangulamento é clínico, baseado na tríade de dor intensa e súbita, irredutibilidade do abaulamento e sinais de obstrução intestinal (náuseas, vômitos, distensão abdominal, parada de eliminação de flatos). A ausência de hiperemia local não exclui o estrangulamento, especialmente nas fases iniciais. A diferenciação entre hérnia encarcerada e estrangulada é crucial, pois a primeira pode ser manejada com tentativa de redução, enquanto a segunda exige cirurgia de urgência. A conduta correta para uma hérnia inguinal estrangulada é a indicação imediata de cirurgia. O atraso na intervenção aumenta o risco de necrose intestinal, perfuração, peritonite e sepse. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente esses casos e encaminhar o paciente para o bloco cirúrgico, após estabilização inicial, se necessário. A tentativa de redução manual em casos de estrangulamento é contraindicada e pode agravar a lesão intestinal.
Os sinais incluem dor intensa e súbita na região inguinal, abaulamento irredutível, e sintomas de obstrução intestinal como náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. Pode haver sinais sistêmicos como febre e taquicardia em casos avançados.
É uma emergência cirúrgica porque o estrangulamento compromete o suprimento sanguíneo da alça intestinal herniada, levando à isquemia, necrose, perfuração e peritonite. A intervenção imediata é crucial para resgatar a viabilidade intestinal e prevenir complicações graves como sepse e óbito.
Uma hérnia encarcerada é irredutível, mas geralmente não apresenta sinais de isquemia ou obstrução intestinal grave, podendo haver apenas dor local. A hérnia estrangulada, por sua vez, sempre apresenta sinais de comprometimento vascular da alça, com dor intensa, sinais de toxicidade sistêmica e obstrução intestinal completa.
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