UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2021
Paciente masculino, 40 anos, com dor abdominal de forte intensidade há 24 horas, mais intensa em fossa ilíaca esquerda, acompanhada de distensão abdominal e vômitos fecalóides. Ao exame físico o paciente se encontrava taquicardico, com distensão abdominal importante, sem irritação peritoneal e observou-se presença de hérnia inguinal esquerda, irredutível as manobras, com dor importante a manipulação. O Raio X de abdome evidenciou distensão de alças de intestino delgado, com a presença de níveis hidroaéreos. O exame laboratorial evidenciou leucocitose com desvio a esquerda. Durante a fase de hidratação e início de antibioticoterapia, o médico foi informado pelo enfermeiro que a hérnia havia reduzido de forma espontânea. Ao examinar o paciente, o médico confirma a redução espontânea do material herniado. Qual a melhor conduta diante dessa nova situação clínica?
Hérnia estrangulada reduzida espontaneamente → CIRURGIA DE URGÊNCIA (risco de necrose intestinal).
A redução espontânea de uma hérnia que apresentava sinais de estrangulamento (dor intensa, irredutibilidade, sinais de obstrução e inflamação sistêmica) não elimina o risco de necrose do conteúdo herniado. O segmento intestinal isquêmico pode ter retornado à cavidade abdominal, levando a peritonite e sepse se não for ressecado cirurgicamente.
Hérnias inguinais são comuns, mas a complicação de estrangulamento representa uma emergência cirúrgica. O estrangulamento ocorre quando o suprimento sanguíneo do conteúdo herniado é comprometido, levando à isquemia e potencial necrose. Os sintomas incluem dor intensa, irredutibilidade da hérnia, e sinais de obstrução intestinal e resposta inflamatória sistêmica. O caso clínico descreve um paciente com quadro clássico de obstrução intestinal e sinais de estrangulamento de hérnia inguinal. A presença de vômitos fecalóides, distensão abdominal, taquicardia e leucocitose com desvio à esquerda são alarmantes. A redução espontânea da hérnia, embora possa parecer uma melhora, é uma situação perigosa. A conduta correta é o encaminhamento para cirurgia de urgência, mesmo após a redução. Isso se deve ao risco de que o segmento intestinal que estava estrangulado já esteja isquêmico ou necrótico e tenha retornado à cavidade abdominal. A não intervenção pode resultar em perfuração intestinal, peritonite, sepse e óbito. Residentes devem estar cientes de que a redução espontânea não exclui a necessidade de exploração cirúrgica.
Mesmo após a redução espontânea, há um alto risco de que o conteúdo herniado (geralmente intestino) tenha sofrido isquemia ou necrose durante o período de estrangulamento. Esse segmento necrótico, se retornado à cavidade abdominal, pode levar a peritonite, sepse e morte se não for ressecado cirurgicamente.
Os sinais de alerta incluem dor intensa e súbita na região da hérnia, irredutibilidade da massa, sinais de obstrução intestinal (distensão abdominal, vômitos fecalóides), taquicardia, febre e leucocitose com desvio à esquerda, indicando inflamação e possível isquemia.
O principal risco é o desenvolvimento de peritonite e sepse devido à perfuração do segmento intestinal necrótico que foi reduzido para a cavidade abdominal. Isso pode levar a um quadro de abdome agudo grave e alta mortalidade.
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