FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente 35 anos, lavrador, queixa-se de dor na região da virilha direita há 1 ano. Porém, há 2 dias, apresenta abaulamento endurecido, irredutível manualmente, associado a náuseas, à distensão abdominal e à parada de eliminação de flatos e fezes. Quanto ao caso apresentado, é correto afirmar que se trata de um(a):
Hérnia irredutível + sinais obstrutivos (vômitos, parada de fezes) = Estrangulamento → Cirurgia imediata.
O quadro de abaulamento irredutível associado a sintomas de obstrução intestinal (náuseas, distensão, parada de eliminação) define a hérnia estrangulada, uma emergência que dispensa exames de imagem demorados.
O caso clínico descreve um cenário clássico de abdome agudo obstrutivo secundário a uma hérnia inguinal complicada. A evolução de um quadro crônico (dor há 1 ano) para um agudo (2 dias de irredutibilidade e sintomas sistêmicos) é típica do estrangulamento. A fisiopatologia envolve o encarceramento da alça intestinal no anel inguinal, levando ao edema da parede intestinal, aumento da pressão intramural e interrupção do fluxo venoso e, por fim, arterial. A distinção entre urgência e emergência é vital: enquanto a hérnia apenas encarcerada (sem sofrimento) pode ser manejada em caráter de urgência, a presença de sinais obstrutivos e dor intensa configura uma emergência cirúrgica. O tratamento definitivo é a hernioplastia, mas a prioridade absoluta é a avaliação da vitalidade intestinal. O residente deve estar atento para não tentar a redução manual (manobra de Taxis) em pacientes com sintomas há mais de 6-12 horas ou com sinais inflamatórios, devido ao risco de reduzir uma alça já necrótica para a cavidade peritoneal.
Uma hérnia é considerada estrangulada quando há comprometimento do suprimento sanguíneo para o conteúdo herniado. Os sintomas cardinais incluem dor intensa e persistente no local da hérnia, irredutibilidade (encarceramento), e sinais de obstrução intestinal, como náuseas, vômitos, distensão abdominal e incapacidade de eliminar flatos ou fezes. Ao exame físico, a região herniária costuma estar tensa, muito dolorosa e pode apresentar hiperemia cutânea. A presença desses sintomas em um paciente com história de hérnia inguinal confirma a urgência cirúrgica por sofrimento vascular.
Em casos de hérnia inguinal com sinais claros de estrangulamento e obstrução intestinal, o diagnóstico é clínico. A realização de uma Tomografia Computadorizada (TC) pode atrasar desnecessariamente a intervenção cirúrgica definitiva. O tempo é um fator crítico para a viabilidade da alça intestinal; quanto mais tempo o tecido permanece isquêmico, maior a probabilidade de necrose, perfuração e necessidade de enterectomia. Exames de imagem são reservados para casos de dúvida diagnóstica ou quando se suspeita de hérnias internas ou menos comuns (como as obturatórias).
A conduta é a exploração cirúrgica imediata, geralmente por via inguinal, embora a laparotomia possa ser necessária se houver sinais de peritonite generalizada ou se a alça reduzida precisar de inspeção intra-abdominal. Durante a cirurgia, o anel herniário é liberado para restaurar o fluxo sanguíneo. A alça deve ser observada por 10 a 15 minutos com compressas mornas e oxigênio a 100%. Se a viabilidade (cor, peristalse e pulsação arterial) não retornar, realiza-se a ressecção do segmento necrótico (enterectomia) com anastomose primária. O uso de tela é controverso em campos contaminados, mas pode ser considerado em casos de isquemia sem perfuração.
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