Hérnia Inguinal Encarcerada em Lactentes: Manejo Inicial

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 4 meses apresenta choro intenso há 2 horas. Mãe relata última mamada há 30 minutos. Nega vômitos e febre e refere que a última evacuação ocorreu há 3 horas. Exame físico: BEG, ativo, bastante irritado e choroso. Abdome: normotenso, RHA presentes, sem sinais de reação peritoneal. Presença de abaulamento fixo em FID (conforme a imagem). Testículos tópicos bilateralmente.O diagnóstico é hérnia inguinal direita

Alternativas

  1. A) estrangulada, necessitando de herniorrafia imediatamente.
  2. B) encarcerada, e deve-se realizar tentativa de redução manual.
  3. C) devendo-se agendar consulta ambulatorial com especialista.
  4. D) encarcerada, e deve-se realizar herniorrafia imediatamente.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal encarcerada em lactente sem sinais de estrangulamento → tentativa de redução manual.

Resumo-Chave

Em lactentes com hérnia inguinal encarcerada, a ausência de sinais de estrangulamento (vômitos biliosos, febre, sinais de peritonite) permite a tentativa de redução manual. Esta deve ser realizada com delicadeza e, se bem-sucedida, a cirurgia pode ser agendada eletivamente. Falha na redução ou sinais de estrangulamento indicam cirurgia de emergência.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal é uma condição comum na pediatria, especialmente em lactentes, e a apresentação como encarceramento é frequente. O encarceramento ocorre quando o conteúdo abdominal (geralmente alça intestinal ou ovário) fica preso no saco herniário e não pode ser reduzido manualmente. A distinção entre hérnia encarcerada e estrangulada é crucial para o manejo adequado e para evitar complicações graves. Fisiopatologicamente, o encarceramento é o aprisionamento do conteúdo herniário, enquanto o estrangulamento implica comprometimento vascular e isquemia. Clinicamente, o lactente com hérnia encarcerada apresenta um abaulamento irredutível e doloroso, irritabilidade e choro. A ausência de sinais de toxicidade sistêmica, vômitos biliosos ou sinais de peritonite diferencia a hérnia encarcerada da estrangulada. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado no exame físico. O tratamento inicial da hérnia inguinal encarcerada sem sinais de estrangulamento é a tentativa de redução manual. Se bem-sucedida, a cirurgia pode ser agendada eletivamente. Em caso de falha na redução ou presença de sinais de estrangulamento, a herniorrafia de emergência é imperativa para prevenir necrose intestinal e outras complicações. A intervenção precoce é fundamental para um bom prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma hérnia inguinal encarcerada em lactentes?

Os sinais incluem um abaulamento fixo e doloroso na região inguinal que não pode ser reduzido, irritabilidade e choro intenso. Geralmente, não há sinais sistêmicos de isquemia intestinal, como vômitos biliosos ou febre.

Quando a redução manual de uma hérnia inguinal é indicada?

A redução manual é indicada para hérnias inguinais encarceradas em lactentes que não apresentam sinais de estrangulamento (ausência de vômitos, febre, taquicardia, dor à descompressão ou eritema sobre o saco herniário). Deve ser realizada com cuidado e sob sedação leve, se necessário.

Quais são os riscos de uma hérnia inguinal encarcerada não tratada?

O principal risco é a progressão para estrangulamento, onde o suprimento sanguíneo do conteúdo herniado é comprometido, levando à isquemia, necrose e perfuração intestinal. Isso é uma emergência cirúrgica com alta morbidade e mortalidade.

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