UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 56 anos de idade, procura o pronto-socorro com dor súbita e aumento do volume na região inguinal direita há 6 horas. Exame físico: abaulamento doloroso da região inguinal, sem sinais de peritonite. Durante o exame físico, a hérnia reduziu espontaneamente. Qual é a conduta mais adequada?
Hérnia encarcerada com redução espontânea → Laparoscopia para avaliar viabilidade da alça intestinal.
A redução espontânea de uma hérnia encarcerada exige inspeção da cavidade abdominal. A laparoscopia é a via preferencial por permitir o reparo da hérnia e a visualização direta da alça que estava presa.
Hérnias inguinais que apresentam dor súbita e irredutibilidade são emergências cirúrgicas. O encarceramento pode levar ao estrangulamento (isquemia). Quando a redução ocorre espontaneamente ou sob manobra (táxis), o cirurgião enfrenta o dilema da 'redução de alça potencialmente isquêmica'. A abordagem laparoscópica (seja por técnica TAPP - Transabdominal Pré-Peritoneal ou TEP - Totalmente Extraperitoneal, embora a TAPP facilite a inspeção da cavidade) é ideal. Ela oferece acesso à região inguinal para o reparo definitivo com tela e permite a inspeção minuciosa das alças. Caso seja identificada uma necrose, a ressecção segmentar pode ser feita por via laparoscópica ou assistida, garantindo a segurança do procedimento.
Existe o risco de que a alça intestinal que estava encarcerada tenha sofrido isquemia ou necrose segmentar antes de reduzir. Se essa alça isquêmica retornar à cavidade sem ser inspecionada, pode evoluir para perfuração e peritonite fecal tardia, aumentando drasticamente a morbimortalidade.
A laparoscopia permite a visualização direta de todo o conteúdo abdominal. O cirurgião pode identificar a alça que estava no saco herniário (geralmente apresenta equimoses ou sinais de sofrimento) e testar sua viabilidade (cor, peristalse, pulsação arterial) sem a necessidade de uma laparotomia exploradora agressiva.
A laparotomia é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica grave, peritonite generalizada franca com sinais de choque séptico, ou quando o paciente apresenta distensão abdominal tão severa que impossibilita a criação segura do pneumoperitônio para a laparoscopia.
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