UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Paciente de 28 anos, sexo masculino, dá entrada no pronto-socorro com história de ser portador de abaulamento redutível na região inguinal direita há 2 anos. Alega que, depois de um esforço físico, o abaulamento tornou-se doloroso e irredutível há 12 h, acompanhando-se de dor abdominal difusa e vômitos. No exame físico, foi feito o diagnóstico de hérnia inguinal direita encarcerada. O paciente foi encaminhado à cirurgia. No momento da indução anestésica, com o relaxamento da parede abdominal, ocorreu redução espontânea do conteúdo herniário para a cavidade abdominal. Diante desse quadro, a melhor conduta é
Hérnia encarcerada com redução espontânea → Videolaparoscopia para avaliar viabilidade intestinal.
A redução espontânea de uma hérnia encarcerada, especialmente após sintomas de sofrimento, exige inspeção da cavidade abdominal (preferencialmente por videolaparoscopia) para descartar lesão intestinal isquêmica ou perfurada que possa ter sido reduzida.
A hérnia inguinal encarcerada é uma emergência cirúrgica caracterizada pela impossibilidade de reduzir o conteúdo herniário para a cavidade abdominal. Quando acompanhada de dor e vômitos, sugere sofrimento da alça intestinal. A redução espontânea do conteúdo herniário, especialmente após um período de encarceramento e sintomas, não garante a resolução do problema e pode ser um cenário perigoso. A fisiopatologia por trás da preocupação com a redução espontânea é que uma alça intestinal já isquêmica ou até perfurada pode ser reduzida para a cavidade abdominal. Isso pode levar a uma peritonite ou necrose intestinal progressiva sem sinais externos claros, uma condição conhecida como redução 'em massa' ou, em casos de encarceramento parcial da parede intestinal, hérnia de Richter. A ausência de sinais externos de sofrimento não exclui a lesão interna. Diante desse quadro, a videolaparoscopia é a conduta mais segura e recomendada. Ela permite a inspeção direta da alça intestinal que estava encarcerada, avaliando sua viabilidade, descartando isquemia, perfuração ou outras lesões. Após a confirmação da integridade intestinal, a correção da hérnia pode ser realizada. Adiar ou suspender a cirurgia sem essa inspeção é um erro grave que pode levar a complicações fatais.
O principal risco é a redução de uma alça intestinal já isquêmica ou perfurada para a cavidade abdominal, resultando em peritonite ou necrose intestinal sem sinais externos, uma condição conhecida como redução 'em massa' ou hérnia de Richter.
A videolaparoscopia permite a inspeção direta da alça intestinal que estava herniada, avaliando sua viabilidade, descartando isquemia ou perfuração, e garantindo que não há conteúdo intestinal comprometido na cavidade abdominal.
Adiar a cirurgia é perigoso devido ao risco de lesão intestinal oculta. Corrigir a hérnia por via inguinal sem inspeção da alça é arriscado. Suspender o procedimento é inaceitável pelo mesmo motivo.
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