Hérnia Inguinal Encarcerada: Conduta Cirúrgica Urgente

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um jovem chega à emergência com queixa de dor e abaulamento em região inguinal direita há oito horas. O estado geral é bom. Seus sinais vitais são normais. O exame físico abdominal é indolor a palpação e nota-se a presença de uma hérnia inguinal encarcerada a direita. A melhor conduta neste caso é:

Alternativas

  1. A) Indicar tratamento cirúrgico com laparotomia exploradora.
  2. B) Indicar tratamento cirúrgico com inguinotomia exploradora.
  3. C) Colocar o paciente em posição de Trendelenburg para facilitar a redução da hérnia encarcerada.
  4. D) Tentar reduzir a hérnia encarcerada manualmente e, caso não seja possível, indicar tratamento cirúrgico.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal encarcerada > 6-8h → inguinotomia exploradora devido ao risco de estrangulamento.

Resumo-Chave

Em hérnias inguinais encarceradas com tempo de evolução superior a 6-8 horas, mesmo sem sinais sistêmicos de sepse, o risco de estrangulamento e necrose intestinal é elevado. A conduta mais segura é a inguinotomia exploradora para avaliar a viabilidade do conteúdo herniário e proceder com a herniorrafia.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal encarcerada é uma emergência cirúrgica que ocorre quando o conteúdo herniário (geralmente alças intestinais ou omento) fica preso no saco herniário e não pode ser reduzido manualmente. Se não tratada, pode evoluir para estrangulamento, com comprometimento vascular e necrose do conteúdo, o que aumenta significativamente a morbimortalidade. O diagnóstico é clínico, com dor e abaulamento irredutível na região inguinal. A diferenciação entre encarceramento e estrangulamento é crucial: o estrangulamento implica isquemia e necrose, com sinais como dor intensa, febre, taquicardia e sinais de peritonite. No entanto, o tempo de encarceramento é um fator de risco independente para estrangulamento, mesmo na ausência de sinais sistêmicos. A conduta inicial pode ser a tentativa de redução manual em casos recentes (<6h) e sem sinais de sofrimento. Contudo, após 6-8 horas de encarceramento, o risco de estrangulamento aumenta significativamente, e a indicação é cirúrgica imediata (inguinotomia exploradora) para avaliar a viabilidade do conteúdo e realizar a herniorrafia, prevenindo complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de uma hérnia inguinal encarcerada?

Os sinais de uma hérnia inguinal encarcerada incluem dor intensa e súbita na região inguinal, um abaulamento irredutível e, por vezes, sintomas obstrutivos como náuseas, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes.

Quando a redução manual de uma hérnia encarcerada é contraindicada?

A redução manual é contraindicada se houver sinais de estrangulamento (febre, taquicardia, eritema local, sinais de peritonite) ou se o tempo de encarceramento for prolongado (geralmente > 6-8 horas), devido ao risco de necrose intestinal.

Qual a diferença entre hérnia encarcerada e estrangulada?

A hérnia encarcerada é aquela cujo conteúdo não pode ser reduzido manualmente. A hérnia estrangulada é uma hérnia encarcerada que evoluiu com comprometimento vascular do conteúdo, levando à isquemia e necrose, sendo uma emergência ainda mais grave.

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