HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021
Homem de 65 anos deu entrada no pronto socorro com queixa de dor na região inguinal direita há 10 horas que cursou neste intervalo de tempo com náuseas e vômitos. Nega febre. Na avaliação foi verificado bom estado geral, distensão abdominal e desidratação. PA: 140x90 mmHg, PA: 100 bpm, diagnóstico de hérnia inguinal encarcerada, sem sinais de irritação peritoneal. Qual a conduta mais adequada para este caso?
Hérnia inguinal encarcerada sem sinais de estrangulamento → tentativa de redução manual, se falha, cirurgia de urgência (Lichtenstein).
Em hérnia inguinal encarcerada sem sinais de estrangulamento (irritação peritoneal, febre, leucocitose acentuada), a conduta inicial é a tentativa de redução manual. Se esta falhar, a cirurgia de urgência é indicada para evitar a progressão para estrangulamento, sendo a hernioplastia de Lichtenstein a técnica preferencial devido à sua baixa taxa de recidiva.
A hérnia inguinal encarcerada é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela impossibilidade de reduzir o conteúdo herniário para a cavidade abdominal. Embora não haja sinais de estrangulamento (isquemia ou necrose do conteúdo), o risco de progressão para essa complicação é iminente, justificando uma abordagem rápida. A epidemiologia mostra maior incidência em homens idosos. A fisiopatologia envolve o aprisionamento de alças intestinais ou omento no saco herniário, levando à obstrução e, potencialmente, à isquemia. O diagnóstico é clínico, com dor inguinal, náuseas, vômitos e distensão abdominal. A ausência de sinais de irritação peritoneal é crucial para diferenciar o encarceramento do estrangulamento. A conduta inicial, na ausência de estrangulamento, é a tentativa de redução manual. Se bem-sucedida, a cirurgia eletiva pode ser programada. Contudo, se a redução manual falhar, a cirurgia de urgência é imperativa. A hernioplastia de Lichtenstein, uma técnica sem tensão que utiliza tela, é a abordagem preferencial devido à sua eficácia e baixa taxa de recidiva, sendo superior às técnicas de reparo tecidual como Bassini ou Shouldice.
Sinais de estrangulamento incluem dor intensa e persistente, febre, taquicardia, leucocitose, eritema e sensibilidade local, e sinais de irritação peritoneal (dor à descompressão, defesa) se houver necrose intestinal. A presença desses sinais indica urgência máxima.
A redução manual é contraindicada se houver sinais de estrangulamento (dor intensa, febre, sinais de peritonite), suspeita de necrose intestinal, ou se a hérnia estiver encarcerada por um período prolongado (>12-24 horas), aumentando o risco de lesão tecidual.
A técnica de Lichtenstein é a mais utilizada devido à sua simplicidade, baixa taxa de recidiva e menor dor pós-operatória, utilizando uma tela para reforçar a parede posterior do canal inguinal sem tensão, o que diminui a chance de falha do reparo.
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