Hérnia Inguinal Encarcerada: Diagnóstico e Conduta

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 43 anos procura a emergência com queixa de dor em região inguinal e testicular direita há 2 horas. Apresentou 2 episódios de vômitos desde então. Relata que há alguns anos apresenta abaulamento inguinal aos esforços que desaparece após tomar dipirona e ficar em repouso. Hoje notou que a nodulação não diminuiu. Na origem, foi medicado com 1g de dipirona e 4mg de morfina, com melhora parcial, mas com persistência do abaulamento inguinal. Ao exame: regular estado geral, corado, desidratado ++/4+. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome com ruídos presentes, flácido, sem sinais de peritonite. Abaulamento inguinal direito, acima do ligamento inguinal, de aproximadamente 5 centímetros, duro, doloroso, não redutível manualmente. Não há sinais de hiperemia ou necrose na pele. Os testículos são tópicos em bolsa testicular, não horizontalizados, indolores, com reflexo cremastérico preservado bilateralmente. A conduta mais adequada é: 

Alternativas

  1. A) Aumentar analgesia e tentar redução manual.
  2. B) Tomografia de abdome e pelve.
  3. C) Alta com AINES por 7 dias.
  4. D) Cirurgia.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal dolorosa, não redutível, com vômitos e desidratação → Encarceramento/Estrangulamento → Cirurgia de emergência.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de hérnia inguinal encarcerada ou estrangulada, caracterizado por dor intensa, abaulamento não redutível, vômitos e sinais de desidratação. A persistência do abaulamento após analgesia e a não redutibilidade manual são indicativos de complicação que requer intervenção cirúrgica imediata para evitar necrose intestinal.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal é uma condição comum, caracterizada pela protrusão de conteúdo abdominal através de um ponto fraco na parede abdominal na região inguinal. Embora muitas hérnias sejam redutíveis e assintomáticas ou causem apenas desconforto leve, elas podem se complicar, tornando-se encarceradas ou estranguladas, o que constitui uma emergência cirúrgica. O encarceramento ocorre quando o conteúdo herniado fica preso e não pode ser reduzido manualmente para a cavidade abdominal. Isso causa dor intensa, inchaço e, se houver obstrução intestinal, náuseas e vômitos. O estrangulamento é uma complicação mais grave, onde o suprimento sanguíneo do conteúdo herniado é comprometido, levando à isquemia e necrose. Sinais de estrangulamento incluem dor excruciante, endurecimento do abaulamento, alterações na pele (eritema, cianose) e sinais sistêmicos de sepse. Neste caso, o paciente apresenta dor intensa, vômitos, desidratação e um abaulamento inguinal duro, doloroso e não redutível, mesmo após analgesia potente. Esses achados são altamente sugestivos de hérnia inguinal encarcerada, com alto risco de estrangulamento. A conduta mais adequada é a cirurgia de emergência para reduzir a hérnia, avaliar a viabilidade do conteúdo herniado e reparar o defeito da parede abdominal, prevenindo complicações como peritonite e sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma hérnia inguinal encarcerada?

Uma hérnia encarcerada se manifesta com dor intensa e súbita na região inguinal, um abaulamento que não pode ser reduzido manualmente e frequentemente sintomas gastrointestinais como náuseas e vômitos.

Qual a diferença entre hérnia encarcerada e estrangulada?

A hérnia encarcerada é aquela que não pode ser reduzida, enquanto a estrangulada é uma hérnia encarcerada com comprometimento vascular do conteúdo herniado, levando à isquemia e necrose, com sinais sistêmicos mais graves.

Por que a cirurgia é a conduta mais adequada para uma hérnia inguinal não redutível?

A não redutibilidade de uma hérnia indica encarceramento, o que pode evoluir rapidamente para estrangulamento e necrose do conteúdo herniado (geralmente intestino). A cirurgia de emergência é necessária para liberar o conteúdo e avaliar sua viabilidade, prevenindo complicações graves.

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