AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2020
Homem, 60 anos, com diagnóstico de hérnia inguinal direita há dois anos, sempre redutível, passou a apresentar, nas últimas vinte e quatro horas, parada de eliminação de flatos e fezes, dor mais intensa em fosse ilíaca direita e distensão abdominal. Durante a indução anestésica para tratamento cirúrgico ocorreu redução espontânea da hérnia. Neste momento está indicado:
Hérnia encarcerada com redução espontânea durante indução anestésica → exploração cirúrgica obrigatória por risco de alça estrangulada.
A redução espontânea de uma hérnia encarcerada, especialmente após um período de sintomas obstrutivos e dor intensa, não exclui a possibilidade de estrangulamento e necrose de uma alça intestinal que retornou à cavidade. A exploração cirúrgica é fundamental para evitar complicações graves como peritonite.
A hérnia inguinal é uma condição comum, mas pode evoluir para complicações graves como o encarceramento e o estrangulamento. O encarceramento ocorre quando o conteúdo herniário não pode ser reduzido manualmente para a cavidade abdominal, enquanto o estrangulamento implica em comprometimento vascular da alça herniada, com risco de isquemia e necrose. É crucial para o residente reconhecer a gravidade dessas situações. Em casos de hérnia encarcerada com sintomas de obstrução intestinal e dor intensa, a redução espontânea durante a indução anestésica não garante a resolução do problema. A fisiopatologia subjacente pode envolver uma alça intestinal já comprometida vascularmente que retorna à cavidade, ocultando a lesão. A suspeita deve ser alta para estrangulamento, mesmo com a redução. A conduta correta nestes cenários é manter a cirurgia e realizar a exploração da cavidade abdominal. Isso permite a identificação de alças isquêmicas ou necrosadas, prevenindo peritonite e sepse. O prognóstico depende da rapidez na identificação e tratamento da complicação, sendo a exploração um passo fundamental para a segurança do paciente.
Os sinais de estrangulamento incluem dor intensa e persistente, sinais de obstrução intestinal (parada de flatos e fezes, distensão abdominal), taquicardia, febre e leucocitose.
Uma alça intestinal já isquêmica ou necrosada pode ter retornado à cavidade abdominal, levando a peritonite e sepse se não for identificada e tratada cirurgicamente.
Hérnia encarcerada é irredutível, mas com suprimento sanguíneo preservado. Hérnia estrangulada é encarcerada com comprometimento vascular, levando à isquemia e necrose do conteúdo herniário.
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