Hérnia Inguinal Encarcerada Reduzida em Lactentes: Conduta

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 4 meses, sexo masculino, é levado à emergência devido a choro inconsolável, há cerca de uma hora, e aumento de volume de bolsa escrotal à direita. Ao exame físico, apresenta dor à mobilização e discreta hiperemia local, além de abaulamento, com transiluminação testicular negativa. A redução digital do abaulamento é realizada com sucesso, havendo a regressão do choro. Nesse caso, a melhor conduta a ser tomada é:

Alternativas

  1. A) internação hospitalar; cirurgia de urgência
  2. B) seguimento ambulatorial; sem indicação cirúrgica
  3. C) seguimento ambulatorial; cirurgia eletiva em duas a três semanas
  4. D) internação hospitalar; alta sem indicação cirúrgica, se assintomático

Pérola Clínica

Hérnia inguinal encarcerada redutível em lactente → cirurgia eletiva em 2-3 semanas (após desedemação).

Resumo-Chave

A hérnia inguinal encarcerada em lactentes, uma vez reduzida com sucesso, não requer cirurgia de urgência imediata. No entanto, o risco de reencarceramento é alto, e a cirurgia eletiva deve ser programada em 2 a 3 semanas para permitir a desedemação dos tecidos e otimizar as condições cirúrgicas, prevenindo novas complicações.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal é uma das patologias cirúrgicas mais comuns na pediatria, especialmente em lactentes do sexo masculino. O encarceramento ocorre quando o conteúdo abdominal (geralmente alças intestinais) fica preso no saco herniário, causando dor intensa e, se não tratado, risco de estrangulamento e isquemia. A apresentação clínica típica inclui choro inconsolável e um abaulamento inguinal ou escrotal. No caso descrito, a transiluminação testicular negativa sugere que o conteúdo do abaulamento não é líquido (como em um hidrocele), mas sim sólido, compatível com alça intestinal. A dor à mobilização e a hiperemia local são sinais de irritação e inflamação devido ao encarceramento. O sucesso da redução digital é um ponto crucial, pois alivia a urgência imediata e o sofrimento do lactente, afastando o risco iminente de estrangulamento. Uma vez que a hérnia encarcerada é reduzida com sucesso, a conduta não é mais de urgência cirúrgica. No entanto, o risco de reencarceramento é elevado, e a correção cirúrgica definitiva é sempre necessária. A cirurgia deve ser programada de forma eletiva, idealmente em duas a três semanas. Esse período permite que o edema e a inflamação local regridam, otimizando as condições para o procedimento cirúrgico, diminuindo os riscos de complicações e facilitando a identificação das estruturas anatômicas. Dar alta sem indicação cirúrgica (D) ou indicar cirurgia de urgência (A) seriam condutas inadequadas para este cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hérnia inguinal encarcerada em lactentes?

Os sinais incluem choro inconsolável, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos e um abaulamento na região inguinal ou escrotal que não se reduz espontaneamente. Pode haver dor à palpação e, em casos mais avançados, sinais de obstrução intestinal.

Como é feita a redução manual de uma hérnia inguinal encarcerada?

A redução manual deve ser tentada com o lactente calmo e relaxado (pode-se usar sedação leve ou analgésicos), aplicando-se pressão suave e constante sobre o saco herniário em direção ao anel inguinal profundo. É crucial não forçar para evitar lesões.

Por que a cirurgia eletiva é indicada após a redução de uma hérnia encarcerada?

A cirurgia eletiva é indicada para prevenir novos episódios de encarceramento e estrangulamento, que podem levar à isquemia e necrose intestinal ou testicular. O período de 2 a 3 semanas permite a resolução do edema local, tornando o procedimento cirúrgico mais seguro e com menor risco de complicações.

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