Hérnia Inguinal Encarcerada: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 67 anos é admitido em pronto-socorro com história de abaulamento inguinal doloroso há 7 horas. Apresentou 2 episódios de vômitos desde então. Relata que há alguns anos apresenta abaulamento inguinal aos esforços que desaparece após tomar dipirona e ficar em repouso. Hoje notou que a dor é mais intensa e que a nodulação não diminuiu. Foi medicado com tramadol e cetoprofeno antes de ser encaminhado. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome com ruídos presentes, flácido, sem sinais de peritonite. Abaulamento inguinal direito, acima do ligamento inguinal, de aproximadamente 4cm, duro, doloroso, não redutível manualmente. Não há sinais de hiperemia ou necrose na pele. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Aumentar analgesia e tentar redução manual.
  2. B) Cirurgia.
  3. C) Tomografia de pelve.
  4. D) Alta com AINES por 7 dias.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal irredutível, dolorosa e com vômitos → encarceramento/estrangulamento → cirurgia de urgência.

Resumo-Chave

O quadro clínico de abaulamento inguinal doloroso, irredutível, associado a vômitos e dor intensa, sugere encarceramento ou estrangulamento de hérnia inguinal. Nesses casos, a conduta mais adequada é a cirurgia de urgência para evitar necrose intestinal e peritonite.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal é uma condição comum, caracterizada pela protrusão de conteúdo abdominal através de um ponto fraco na parede abdominal na região inguinal. Embora muitas hérnias sejam redutíveis e assintomáticas ou causem apenas desconforto leve, elas podem evoluir para complicações graves, como o encarceramento e o estrangulamento, que são emergências cirúrgicas. O encarceramento ocorre quando o conteúdo herniado fica preso e não pode ser reduzido manualmente, enquanto o estrangulamento implica comprometimento vascular do conteúdo, levando à isquemia e necrose. O quadro clínico de um paciente com hérnia encarcerada ou estrangulada tipicamente envolve dor intensa e súbita na região da hérnia, que se torna irredutível e endurecida. Sintomas sistêmicos como náuseas, vômitos e distensão abdominal podem indicar obstrução intestinal e/ou isquemia. A ausência de sinais de peritonite no abdome flácido, como no caso apresentado, não exclui a necessidade de intervenção, pois o processo isquêmico pode estar confinado ao saco herniário inicialmente. Diante de um quadro de hérnia inguinal dolorosa, irredutível e com sintomas obstrutivos, a conduta mais adequada é a cirurgia de urgência. Tentativas de redução manual podem ser consideradas em casos selecionados e sem sinais de estrangulamento, mas devem ser feitas com cautela e por profissional experiente. Atrasar a intervenção cirúrgica em um caso de encarceramento/estrangulamento aumenta drasticamente o risco de necrose intestinal, perfuração, sepse e morte. Para residentes, é crucial reconhecer rapidamente esses sinais de complicação e agir prontamente para garantir o melhor prognóstico ao paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para uma hérnia inguinal complicada (encarcerada/estrangulada)?

Sinais de alerta incluem dor intensa e súbita na região da hérnia, irredutibilidade do abaulamento, endurecimento da massa, e sintomas sistêmicos como náuseas, vômitos e distensão abdominal.

Por que a cirurgia é a conduta mais adequada em casos de hérnia encarcerada?

A cirurgia de urgência é necessária para liberar o conteúdo herniado e avaliar sua viabilidade. O atraso pode levar ao estrangulamento, isquemia, necrose intestinal, perfuração e peritonite, aumentando significativamente a morbimortalidade.

Qual a diferença entre hérnia encarcerada e estrangulada?

Hérnia encarcerada é quando o conteúdo herniário não pode ser reduzido manualmente. Hérnia estrangulada é uma complicação da encarcerada, onde há comprometimento vascular do conteúdo, levando à isquemia e necrose, e é uma emergência cirúrgica.

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