IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021
Menino de 3 meses de idade apresenta choro e irritabilidade há 2 horas, associados ao surgimento de “nódulo na virilha” à esquerda. Não apresentou febre, nem vômitos. EF: BEG, corado, hidratado, choroso. Abdome com RHA propulsivos, normotenso, sem sinais de reação peritoneal. Presença de abaulamento inguinal fixo à esquerda, sem sinais flogísticos, doloroso à manipulação local. Imagem apresentada a seguir.A conduta inicial mais adequada é:
Hérnia inguinal encarcerada em lactente → tentar redução manual suave como conduta inicial, se não houver sinais de estrangulamento.
Em um lactente com hérnia inguinal encarcerada (abaulamento fixo, doloroso, sem sinais de estrangulamento ou peritonite), a conduta inicial mais adequada é a tentativa de redução manual suave. Se bem-sucedida, a cirurgia eletiva pode ser programada. Se a redução falhar ou houver sinais de comprometimento vascular, a exploração cirúrgica de emergência é indicada.
A hérnia inguinal é uma condição comum em pediatria, especialmente em lactentes, e ocorre quando uma porção do intestino ou outro órgão abdominal protrui através de um defeito na parede abdominal na região inguinal. O encarceramento ocorre quando o conteúdo herniário fica preso e não pode ser reduzido manualmente, causando dor e potencial obstrução. Em lactentes, o risco de encarceramento é maior devido à fragilidade dos tecidos e ao choro frequente que aumenta a pressão intra-abdominal. A apresentação clínica típica inclui um abaulamento na virilha que se torna mais proeminente com o choro ou esforço, podendo ser doloroso e irredutível. A ausência de febre, vômitos e sinais de peritonite no caso descrito sugere um encarceramento sem estrangulamento imediato. Nesses casos, a conduta inicial mais apropriada é a tentativa de redução manual. A redução manual deve ser realizada com o lactente calmo (após analgesia e/ou sedação, se necessário), em posição de Trendelenburg, aplicando-se pressão suave e constante sobre o conteúdo herniário em direção ao anel inguinal. Se a redução for bem-sucedida, a cirurgia eletiva pode ser agendada. Se a redução falhar ou se houver sinais de estrangulamento (isquemia intestinal), a exploração cirúrgica de emergência é imperativa para evitar necrose intestinal e outras complicações graves. A ultrassonografia é útil para confirmar o diagnóstico, mas não deve atrasar a tentativa de redução ou a cirurgia em casos urgentes.
Sinais de estrangulamento incluem dor intensa e persistente, eritema ou cianose da pele sobre a hérnia, febre, vômitos biliares ou fecaloides, taquicardia, e sinais de peritonite ou sepse, indicando isquemia intestinal.
A redução manual deve ser feita com o paciente calmo e em posição de Trendelenburg, aplicando-se pressão suave e constante na direção do canal inguinal, empurrando o conteúdo herniário de volta para a cavidade abdominal. Analgesia e sedação podem auxiliar.
A exploração cirúrgica de emergência é indicada se a tentativa de redução manual falhar após algumas tentativas, ou se houver sinais claros de estrangulamento da alça intestinal, como alterações inflamatórias ou isquêmicas.
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