Hérnia Inguinal Encarcerada: Conduta e Redução Manual

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025

Enunciado

Serafim, 66 anos de idade, foi admitido no Pronto Socorro com dor na região inguinal à direita e com abaulamento local há 8 horas, acompanhados de distensão abdominal e dois episódios de vômitos. Tem antecedente de doença pulmonar obstrutiva crônica em uso de oxigénio domiciliar. Ao exame fisico, encontrava-se em regular estado geral e desidratado, ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações; abdome distendido, sem dor à palpação profunda e sem sinais de irritação peritoneal; região inguinal direita com abaulamento local endurecido de 4 cm, sem hiperemia e doloroso à palpação. Exames laboratoriais: Hb: 17,5 g/dl; Ht: 52%; Leucograma: 9.124/mm3; Creatinina: 1,8 mg/dL; Ureia: 89 mg/dL. Além da hidratação e suporte clínico, qual é a melhor conduta neste caso?

Alternativas

  1. A) Laparoscopia.
  2. B) Inguinotomia.
  3. C) Laparotomia mediana.
  4. D) Redução manual da hérnia.
  5. E) Tomografia abdômen total.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal encarcerada sem sinais de estrangulamento → tentar redução manual como conduta inicial.

Resumo-Chave

Em um paciente com hérnia inguinal encarcerada, mas sem sinais de estrangulamento (hiperemia, febre, irritação peritoneal, leucocitose significativa), a redução manual da hérnia é a conduta inicial preferencial, após estabilização clínica e analgesia, para evitar a progressão para estrangulamento.

Contexto Educacional

As hérnias inguinais são protrusões de conteúdo abdominal através de um defeito na parede abdominal na região inguinal. Embora muitas sejam assintomáticas ou causem apenas desconforto leve, a complicação mais temida é o encarceramento, onde o conteúdo herniado fica preso e não pode ser reduzido. O encarceramento pode progredir para estrangulamento, uma condição isquêmica que leva à necrose do conteúdo herniado e é uma emergência cirúrgica com alta morbidade e mortalidade. O paciente Serafim apresenta um quadro clássico de hérnia inguinal encarcerada: dor, abaulamento irredutível, distensão abdominal e vômitos. No entanto, a ausência de hiperemia, febre, sinais de irritação peritoneal e leucocitose significativa (9.124/mm³ é um leucograma normal) sugere que, neste momento, não há evidência clara de estrangulamento. A desidratação e a elevação da creatinina e ureia são provavelmente secundárias aos vômitos e à menor ingestão de líquidos. Nesses casos de hérnia encarcerada sem sinais de estrangulamento, a conduta inicial, após a estabilização clínica do paciente (hidratação, analgesia), é a tentativa de redução manual. Esta manobra, se bem-sucedida, pode evitar uma cirurgia de emergência, permitindo que o reparo herniário seja realizado de forma eletiva, em condições mais seguras para o paciente, especialmente considerando seu antecedente de DPOC. Se a redução manual falhar ou se surgirem sinais de estrangulamento, a intervenção cirúrgica de emergência (inguinotomia ou laparotomia) torna-se necessária. Residentes devem ser proficientes na avaliação e manejo inicial dessas condições.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma hérnia inguinal encarcerada?

Uma hérnia inguinal encarcerada se manifesta como um abaulamento na região inguinal que se torna doloroso e irredutível (não retorna para a cavidade abdominal com manobras). Pode ser acompanhada de sintomas de obstrução intestinal, como dor abdominal, distensão, náuseas e vômitos, e alteração do hábito intestinal.

Quando a redução manual da hérnia é contraindicada?

A redução manual é contraindicada se houver sinais de estrangulamento, que incluem dor intensa e persistente, hiperemia ou cianose da pele sobre a hérnia, febre, taquicardia, leucocitose com desvio à esquerda, sinais de irritação peritoneal ou evidência de necrose intestinal. Nesses casos, a cirurgia de emergência é imperativa.

Como realizar a redução manual de uma hérnia inguinal encarcerada?

A redução manual deve ser realizada com o paciente em decúbito dorsal, com a cabeça elevada e os joelhos flexionados para relaxar a musculatura abdominal. Após analgesia e sedação, aplica-se pressão suave e constante na massa herniária, empurrando-a em direção ao anel herniário, geralmente com um movimento de 'ordenha' ou 'compressão e rotação'.

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