Hérnia Inguinal Encarcerada: Classificação e Tratamento

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um homem de 23 anos de idade procurou atendimento médico de urgência após notar abaulamento inguinal doloroso à direita, durante atividade laborativa intensa há três horas, acompanhada de dor abdominal em cólica e um episódio de vômito. Ao exame abdominal, normocárdico, normotenso a afebril, sem sinais de peritonite. O RX de abdome mostrou discreta dilatação das alças do intestino delgado e sinal de empilhamento de moedas. A equipe de cirurgia geral foi acionada e, após exame clínico detalhado, registrou em prontuário que estava indicado o procedimento cirúrgico, por via aberta e anterior, com a técnica de Lichtenstein, em decorrência de uma hérnia inguinal primária do lado direito, encarcerada e com dilatação do anel inguinal externo com diâmetro de duas polpas digitais. Com base nesse caso hipotético e na classificação das hérnias inguinais pela EHS (European Hernia Society) ou na classificação proposta por Nyhus, é correto afirmar que a melhor alternativa será a 

Alternativas

  1. A) redução da hérnia com manobras compressivas na região inguinal, que tornaria ambulatorial o tratamento definitivo, uma vez que a classificação da hérnia é EHS = L2 ou Nyhus IIIb. 
  2. B) videolaparoscopia, uma vez que a classificação da hérnia é EHS = M2 ou Nyhus II. 
  3. C) laparotomia exploradora mediana, uma vez que a classificação da hérnia é EHS = L2 ou Nyhus IIIa. 
  4. D) via aberta anterior, que não deve ser utilizada quando há sinais de sofrimento de alças intestinais, por não favorecer a enterectomia ou a enteroenteroanastomose, uma vez que a classificação da hérnia é EHS = M2 ou Nyhus II. 
  5. E) via aberta anterior, uma vez que a classificação da hérnia é EHS = L2 ou Nyhus II. 

Pérola Clínica

Hérnia inguinal encarcerada com sinais de obstrução → cirurgia de urgência. Lichtenstein é via aberta anterior. Nyhus II = hérnia indireta com anel inguinal profundo normal ou levemente dilatado. EHS L2 = hérnia lateral primária de tamanho médio.

Resumo-Chave

O paciente apresenta uma hérnia inguinal encarcerada com sinais de obstrução intestinal, indicando cirurgia de urgência. A técnica de Lichtenstein é uma abordagem aberta anterior padrão-ouro para hérnias inguinais. A descrição de "hérnia inguinal primária do lado direito, encarcerada e com dilatação do anel inguinal externo com diâmetro de duas polpas digitais" sugere uma hérnia indireta (lateral) com anel dilatado, que se encaixa na classificação Nyhus II (hérnia indireta com anel profundo normal ou levemente dilatado) ou EHS L2 (hérnia lateral primária de tamanho médio). A via aberta anterior é a escolha adequada para este cenário.

Contexto Educacional

As hérnias inguinais são uma das condições cirúrgicas mais comuns, e o manejo de uma hérnia encarcerada é uma emergência. O encarceramento ocorre quando o conteúdo abdominal (geralmente intestino) fica preso no saco herniário e não pode ser reduzido, podendo evoluir para estrangulamento, isquemia e necrose intestinal. O caso descrito apresenta um paciente jovem com hérnia inguinal encarcerada e sinais de obstrução, exigindo intervenção cirúrgica imediata. A técnica de Lichtenstein é uma abordagem aberta anterior para o reparo de hérnias inguinais, considerada o padrão-ouro devido à sua eficácia e baixa taxa de recidiva. Ela envolve a colocação de uma tela de polipropileno para reforçar a parede posterior do canal inguinal, criando um reparo "sem tensão". Esta técnica é particularmente adequada para hérnias primárias e de tamanho moderado. As classificações de hérnias inguinais são ferramentas importantes para o planejamento cirúrgico e a comunicação entre profissionais. A Classificação de Nyhus categoriza as hérnias com base na anatomia do anel inguinal profundo e na presença de hérnias diretas ou femorais: Tipo I: Hérnia indireta, anel inguinal profundo normal. Tipo II: Hérnia indireta, anel inguinal profundo dilatado, mas parede posterior intacta. Tipo III: Defeito na parede posterior do canal inguinal. Subdividida em IIIa (direta), IIIb (indireta com destruição da parede posterior ou femoral) e IIIc (femoral). Tipo IV: Hérnia recidivada. A Classificação da European Hernia Society (EHS) é mais detalhada, classificando as hérnias como Lateral (L), Medial (M) ou Femoral (F), com subtipos por tamanho (1: <1,5 cm; 2: 1,5-3 cm; 3: >3 cm) e se é primária (P) ou recidivada (R). No caso apresentado, uma hérnia indireta com anel externo dilatado de duas polpas digitais (sugerindo um anel profundo também dilatado) se encaixa bem em Nyhus II ou EHS L2 (hérnia lateral primária de tamanho médio). A via aberta anterior, com a técnica de Lichtenstein, é a escolha apropriada para este cenário, permitindo a redução do conteúdo herniário e o reparo definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para uma hérnia inguinal encarcerada ou estrangulada?

Sinais de alerta incluem dor intensa e súbita na região da hérnia, abaulamento irredutível, dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos e sinais de obstrução intestinal (distensão abdominal, ausência de flatos e fezes). Sinais de estrangulamento incluem febre, taquicardia, dor à palpação do saco herniário e sinais de peritonite.

Qual a diferença entre as classificações de Nyhus e EHS para hérnias inguinais?

A classificação de Nyhus (I a IV) foca na anatomia do anel inguinal profundo e na relação com os vasos epigástricos, distinguindo hérnias indiretas, diretas e femorais. A EHS (European Hernia Society) é mais detalhada, classificando as hérnias como lateral (L), medial (M) ou femoral (F), com subtipos por tamanho (1, 2, 3) e primária (P) ou recidivada (R). Ambas auxiliam na escolha da técnica cirúrgica.

Por que a técnica de Lichtenstein é frequentemente utilizada para hérnias inguinais?

A técnica de Lichtenstein é uma reparação sem tensão (tension-free) que utiliza uma tela protética para reforçar a parede posterior do canal inguinal. É amplamente utilizada devido à sua baixa taxa de recidiva, simplicidade técnica e bons resultados a longo prazo, sendo considerada o padrão-ouro para hérnias inguinais primárias.

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