INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Um homem com 30 anos de idade, trabalhador rural, procurou uma Unidade de Pronto Atendimento referindo dor em região inguinal esquerda. Ele alega que a dor iniciou subitamente e com forte intensidade após “pegar um peso no trabalho”, há cerca de 12 horas. Concomitantemente, apresentou vômitos biliosos. Relata que utilizou analgésicos por via oral após o início dos sintomas, sem melhora da dor. Nega febre, sintomas urinários e alteração do hábito intestinal. Ao exame fisico, apresenta-se lúcido e orientado; pressão arterial = 120 x 80 mmHg; frequência cardíaca = 88 bpm; ausculta do tórax normal; abdome flácido, doloroso à palpação profunda em hipogástrio, sem dor a descompressão brusca; massa palpável em região inguinal esquerda, endurecida, dolorida e manualmente irredutível. Além da analgesia, a conduta adequada a ser adotada nesse caso é:
Hérnia irredutível + dor intensa + vômitos → Encarceramento/Estrangulamento → Cirurgia de Urgência.
A presença de uma hérnia inguinal irredutível associada a sintomas obstrutivos (vômitos) configura uma urgência cirúrgica, exigindo transferência imediata para avaliação especializada.
O manejo das hérnias da parede abdominal na urgência é uma competência essencial. O diagnóstico é eminentemente clínico: uma massa palpável, endurecida e dolorosa em região inguinal que não reduz com manobras habituais. A associação com vômitos e dor abdominal difusa confirma o quadro de obstrução intestinal. Em unidades de pronto atendimento (UPA) sem suporte cirúrgico, a conduta após a estabilização inicial (analgesia, hidratação e jejum) é a transferência imediata para um centro hospitalar. O atraso na intervenção cirúrgica aumenta exponencialmente a necessidade de ressecção intestinal (enterectomia) e as taxas de morbimortalidade pós-operatória.
A hérnia encarcerada é aquela que se tornou irredutível, ou seja, o conteúdo do saco herniário não retorna à cavidade abdominal, mas ainda mantém suprimento sanguíneo. A hérnia estrangulada é uma evolução da encarcerada, onde ocorre comprometimento do suprimento vascular (isquemia), levando à necrose do conteúdo (geralmente alça intestinal ou omento). Clinicamente, a estrangulada apresenta sinais inflamatórios locais (calor, rubor) e dor desproporcional.
O paciente apresenta uma hérnia inguinal irredutível há 12 horas, acompanhada de dor intensa e vômitos biliosos. Os vômitos indicam que há uma obstrução intestinal mecânica (abdome agudo obstrutivo) causada pelo encarceramento da alça. O tempo de evolução e a sintomatologia sistêmica aumentam muito o risco de estrangulamento e perfuração, tornando a exploração cirúrgica mandatória.
A redução manual é contraindicada quando há suspeita de estrangulamento (sofrimento vascular). Sinais como febre, leucocitose, instabilidade hemodinâmica, vermelhidão ou edema na pele sobre a hérnia, e dor à descompressão sugerem isquemia. Reduzir uma alça necrótica pode causar peritonite generalizada e sepse.
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