Hérnia Inguinal Encarcerada: Conduta na Urgência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Homem de 22 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde de seu bairro com náuseas, vômitos e “caroço doloroso na virilha”. Informa que há três anos essa massa aparece quando faz esforço e desaparece ao deitar-se, mas desta vez vem se mantendo há dois dias. Ao exame físico: paciente em bom estado geral e aumento de volume na região inguinal e do escroto direito, com dor à palpação. A conduta a ser adotada pelo médico da Unidade é:

Alternativas

  1. A) Administração de relaxante muscular, colocando o paciente em posição de Trendelenburg, com tentativa de redução do volume.
  2. B) Encaminhamento do paciente ao Serviço de Urgência do Hospital com o pedido de avaliação imediata do cirurgião.
  3. C) Tentativa de redução manual do aumento de volume da região inguinescrotal para a cavidade abdominal.
  4. D) Transiluminação do escroto para tentar diferenciar hérnia inguinal de hidrocele comunicante.
  5. E) Prescrição de antiemético e solicitação de ecografia da região inguinescrotal.

Pérola Clínica

Massa inguinal dolorosa irredutível + sintomas obstrutivos → Urgência cirúrgica imediata.

Resumo-Chave

Diante de uma hérnia encarcerada com sinais de sofrimento (dor, náuseas) e tempo de evolução prolongado, a redução manual é contraindicada pelo risco de reduzir alça isquêmica.

Contexto Educacional

Hérnias inguinais são protrusões do conteúdo abdominal através de defeitos na parede posterior do canal inguinal. O encarceramento ocorre quando o conteúdo fica preso pelo anel herniário. O diagnóstico é clínico, baseado na anamnese e exame físico (inspeção e palpação com manobra de Valsalva). Em casos de urgência, exames de imagem como ultrassonografia ou TC podem ajudar, mas não devem retardar o tratamento cirúrgico se a suspeita de estrangulamento for alta. A técnica cirúrgica pode envolver a abordagem inguinal clássica (Lichtenstein) ou, em casos de necrose, laparotomia para ressecção intestinal.

Perguntas Frequentes

Quando a redução manual de uma hérnia inguinal é contraindicada?

A redução manual (manobra de Taxe) é contraindicada quando há suspeita de estrangulamento (isquemia da alça). Sinais de alerta incluem dor intensa e desproporcional, vermelhidão ou calor local sobre o saco herniário, febre, leucocitose e sinais de obstrução intestinal (vômitos, distensão) com longo tempo de evolução (geralmente > 6-8 horas). Nesses casos, a redução pode levar uma alça intestinal gangrenada para dentro da cavidade abdominal, resultando em peritonite purulenta ou fecal e sepse grave.

Qual a diferença entre hérnia encarcerada e estrangulada?

A hérnia encarcerada é aquela que não pode ser reduzida para a cavidade abdominal, mas onde o suprimento sanguíneo do conteúdo herniado ainda está preservado. Já a hérnia estrangulada é uma evolução da encarcerada, onde a pressão no anel herniário compromete a perfusão arterial e venosa, levando à isquemia e eventual necrose do tecido (geralmente gordura omental ou alça intestinal). Clinicamente, o estrangulamento manifesta-se com dor súbita e intensa, sinais inflamatórios sistêmicos e irritação peritoneal local.

Por que o encaminhamento imediato ao cirurgião é a conduta correta neste caso?

O paciente apresenta uma hérnia que se tornou irredutível há dois dias, associada a náuseas, vômitos e dor local. Este quadro é altamente sugestivo de encarceramento com obstrução intestinal e possível sofrimento vascular. O manejo em Unidade Básica de Saúde é limitado; o paciente necessita de avaliação cirúrgica urgente para decidir entre uma tentativa de redução sob sedação (se não houver sinais de peritonite) ou, mais provavelmente, uma inguinotomia de urgência para inspeção da viabilidade da alça e correção do defeito.

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