INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um paciente com 35 anos de idade vem à Unidade Básica de Saúde com queixa de tumoração em região inguinal presente há cerca de um ano. Relata que a tumoração aumentou de tamanho desde o início da sintomatologia e que causa dor principalmente aos esforços físicos, quando também se torna mais proeminente. Ao exame físico apresenta abdome globoso, flácido, indolor à palpação superficial e profunda, ausência de massas palpáveis e/ou visceromegalias, ruídos hidroaéreos presentes. Em região inguinal direita, apresenta abaulamento não redutível, doloroso à palpação, ausência de hiperemia local; região inguinal esquerda sem alterações; ausência de espessamento do cordão espermático bilateralmente. O diagnóstico correto e a conduta adequada são:
Hérnia irredutível + dor local - sinais inflamatórios sistêmicos = Encarceramento (Conduta: Ambulatório/Eletiva).
O encarceramento define-se pela irredutibilidade do conteúdo herniário. Sem sinais de isquemia (estrangulamento), a urgência é relativa, permitindo encaminhamento ambulatorial.
As hérnias inguinais são patologias comuns na prática do cirurgião geral e do médico generalista. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na palpação do canal inguinal e na manobra de Valsalva. A distinção entre os tipos de hérnia (direta, indireta e femoral) e suas complicações é vital para a decisão terapêutica. Neste caso clínico, a ausência de sinais inflamatórios locais e sistêmicos afasta o diagnóstico de estrangulamento, que exigiria laparotomia ou inguinotomia de urgência. O manejo da hérnia encarcerada assintomática ou levemente dolorosa foca na prevenção de complicações futuras através da herniorrafia ou hernioplastia eletiva, sendo o encaminhamento ao especialista a conduta padrão ouro no nível primário de atenção.
A hérnia encarcerada é aquela cujo conteúdo não pode ser reduzido para a cavidade abdominal, mas ainda mantém o suprimento sanguíneo preservado. Já a hérnia estrangulada ocorre quando o encarceramento compromete a irrigação arterial e o retorno venoso, levando à isquemia, necrose e perfuração. Clinicamente, o estrangulamento manifesta-se com dor intensa, hiperemia local, febre e sinais de obstrução intestinal ou sepse.
O paciente apresenta uma hérnia irredutível (encarcerada) e dolorosa, porém sem sinais de sofrimento tecidual (ausência de hiperemia, febre ou sinais de peritonite). Em casos de encarceramento crônico ou estável sem sinais de estrangulamento, a cirurgia pode ser programada de forma eletiva ou prioritária em regime ambulatorial, desde que o paciente seja orientado sobre sinais de alerta para retorno imediato.
Os sinais de alerta que indicam estrangulamento e necessidade de cirurgia de emergência incluem: dor súbita e excruciante, vermelhidão ou calor sobre o abaulamento, náuseas e vômitos, parada de eliminação de gases e fezes, e distensão abdominal. Na presença desses sintomas, a redução manual é contraindicada pelo risco de reduzir uma alça intestinal já necrosada para a cavidade.
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