Hérnia Inguinal Contaminada: Escolha da Técnica Cirúrgica

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 85 anos foi submetido à inguinotomia direita por hérnia encarcerada. Durante o procedimento, foi constatada uma hérnia direta com necrose do saco e conteúdo fecal por perfuração do segmento de intestino delgado. Realizada a limpeza da bolsa escrotal com um controle adequado da contaminação sem comprometimento abdominal, enterectomia com entero-entero anastomose e reposicionamento das alças para dentro da cavidade abdominal. Qual é a técnica mais adequada ao reparo herniário nesse caso? Observação: o hospital fornece telas de marlex e polipropileno de alta e baixa gramatura.

Alternativas

  1. A) Bassini.
  2. B) Rives-Stoppa.
  3. C) Shouldice.
  4. D) Linschteinstein.
  5. E) Andrews.

Pérola Clínica

Hérnia inguinal com contaminação fecal → reparo sem tela (Shouldice) para evitar infecção.

Resumo-Chave

Em casos de hérnia inguinal com contaminação significativa (conteúdo fecal, necrose), o uso de tela protética é contraindicado devido ao alto risco de infecção e formação de fístulas. Técnicas de reparo tecidual, como a Shouldice, são preferíveis nesses cenários.

Contexto Educacional

A hérnia inguinal encarcerada é uma emergência cirúrgica que pode evoluir para estrangulamento e necrose do conteúdo herniário, como alças intestinais. Quando há perfuração intestinal e contaminação do campo cirúrgico com conteúdo fecal, a abordagem do reparo herniário torna-se mais complexa devido ao risco elevado de infecção. A prioridade é controlar a contaminação, realizar a enterectomia e anastomose, e então proceder com o reparo da hérnia. Nesse cenário de contaminação, o uso de telas protéticas (como as de Marlex ou polipropileno, utilizadas nas técnicas de Lichtenstein ou Rives-Stoppa) é formalmente contraindicado. A tela, sendo um corpo estranho, serve como um nicho para bactérias, aumentando exponencialmente o risco de infecção do sítio cirúrgico, formação de abscesso, fístulas e falha do reparo. A infecção de uma tela protética é uma complicação grave que frequentemente exige sua remoção. Portanto, a técnica mais adequada é um reparo tecidual, que utiliza os próprios tecidos do paciente para reforçar a parede posterior do canal inguinal. A técnica de Shouldice é um exemplo clássico e eficaz de reparo tecidual, envolvendo múltiplas camadas de sutura para criar um reforço robusto sem a necessidade de material protético. Outras opções teciduais incluem Bassini e Andrews, mas Shouldice é frequentemente considerada superior em termos de taxa de recorrência entre as técnicas sem tela.

Perguntas Frequentes

Por que a técnica de Shouldice é preferível em hérnias inguinais contaminadas?

A técnica de Shouldice é um reparo tecidual que não utiliza tela protética. Em um ambiente contaminado por conteúdo fecal, o uso de tela aumentaria significativamente o risco de infecção, fístula e falha do reparo.

Quais são os riscos de usar tela protética em cirurgias de hérnia contaminadas?

Os principais riscos incluem infecção da tela, formação de abscesso, fístula enterocutânea ou enteroentérica, e a necessidade de remoção da tela, o que pode levar a complicações adicionais e recorrência da hérnia.

Quais outras técnicas de reparo herniário sem tela existem?

Além de Shouldice, outras técnicas de reparo tecidual incluem Bassini e Andrews. Todas elas envolvem a sutura dos tecidos do próprio paciente para reforçar a parede posterior do canal inguinal.

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