Manejo da Hérnia Inguinal Encarcerada e Estrangulada

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 16 anos de idade, vem ao pronto-socorro queixando dor ínguinoescrotal, contínua, intensa, de início súbito logo após esforço físico, há cerca 2 horas, associada a vômitos. Ao exame físico, o paciente se encontrava em BEG, eupneico, afebril e hemodinamicamente estável. Observa-se abaulamento ínguino-escrotal à direita, irredutível, bastante doloroso à palpação, com calor e rubor local. O paciente refere que apresenta esse tipo de abaulamento desde a infância, mas que reduzia facilmente à palpação ou durante o decúbito. Sobre o caso acima, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Os dados acima nos permitem afirmar que se trata de urgência cirúrgica, com provável indicação de abordagem tanto da região inguinal quanto da cavidade abdominal, podendo ser realizada por via laparoscópica.
  2. B) Por tratar-se de infecção aguda de partes moles, o próximo passo na conduta é o início de antibioticoterapia, investigação da extensão da infecção com ressonância magnética e reavaliação clínica após 48 horas.
  3. C) Por tratar-se de hérnia inguinal Nyhus IIIA, complicada, o uso de telas inorgânicas para a sua correção cirúrgica está contra-indicado.
  4. D) A melhor conduta neste momento é a analgesia com morfina, sedação do paciente e a redução do conteúdo herniário para posterior correção cirúrgica eletiva.

Pérola Clínica

Hérnia irredutível + dor intensa + vômitos = Urgência cirúrgica. Avaliar viabilidade de alça!

Resumo-Chave

A irredutibilidade associada a sinais flogísticos e sintomas obstrutivos indica encarceramento com risco de estrangulamento, exigindo exploração cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

Hérnias inguinais em adolescentes frequentemente resultam da persistência do conduto peritônio-vaginal (hérnia indireta). O quadro clínico de dor súbita após esforço, associado a uma massa irredutível e dolorosa, é patognomônico de complicação. A presença de vômitos sugere obstrução intestinal alta secundária ao encarceramento. O tratamento definitivo é cirúrgico. A abordagem pode exigir a abertura do saco herniário para avaliar a viabilidade do conteúdo antes de sua redução. Se houver suspeita de sofrimento de alça que reduziu inadvertidamente durante a anestesia, a exploração da cavidade abdominal (via laparoscópica ou laparotômica) é mandatória para garantir que não haja segmento isquêmico remanescente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre hérnia encarcerada e estrangulada?

A hérnia encarcerada é aquela que se tornou irredutível, ou seja, o conteúdo do saco herniário não retorna à cavidade abdominal, mas ainda mantém suprimento sanguíneo. Já a hérnia estrangulada é uma evolução da encarcerada, onde ocorre comprometimento do suprimento vascular (isquemia), levando à necrose do conteúdo. Clinicamente, o estrangulamento se manifesta com dor intensa, sinais flogísticos locais (calor, rubor) e sintomas sistêmicos como febre e vômitos.

Quando a laparoscopia é indicada em hérnias complicadas?

A laparoscopia é uma excelente ferramenta em casos de dúvida sobre a viabilidade da alça intestinal após a redução espontânea ou cirúrgica do conteúdo. Ela permite a inspeção direta da cavidade abdominal para verificar se há necrose ou perfuração, evitando laparotomias desnecessárias ou a permanência de tecido inviável dentro do abdome, o que poderia causar peritonite tardia.

O uso de tela é contraindicado em hérnias infectadas?

Tradicionalmente, o uso de telas inorgânicas (polipropileno) é evitado em campos francamente contaminados ou infectados (estrangulamento com necrose e perfuração) devido ao risco de infecção do sítio cirúrgico e rejeição da prótese. No entanto, em casos de encarceramento sem evidência de contaminação grosseira, o uso pode ser discutido. A questão ressalta que a urgência cirúrgica é a prioridade absoluta.

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