CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Paciente do sexo masculino, 16 anos de idade, vem ao pronto-socorro queixando dor ínguinoescrotal, contínua, intensa, de início súbito logo após esforço físico, há cerca 2 horas, associada a vômitos. Ao exame físico, o paciente se encontrava em BEG, eupneico, afebril e hemodinamicamente estável. Observa-se abaulamento ínguino-escrotal à direita, irredutível, bastante doloroso à palpação, com calor e rubor local. O paciente refere que apresenta esse tipo de abaulamento desde a infância, mas que reduzia facilmente à palpação ou durante o decúbito. Sobre o caso acima, assinale a alternativa CORRETA:
Hérnia irredutível + dor intensa + vômitos = Urgência cirúrgica. Avaliar viabilidade de alça!
A irredutibilidade associada a sinais flogísticos e sintomas obstrutivos indica encarceramento com risco de estrangulamento, exigindo exploração cirúrgica imediata.
Hérnias inguinais em adolescentes frequentemente resultam da persistência do conduto peritônio-vaginal (hérnia indireta). O quadro clínico de dor súbita após esforço, associado a uma massa irredutível e dolorosa, é patognomônico de complicação. A presença de vômitos sugere obstrução intestinal alta secundária ao encarceramento. O tratamento definitivo é cirúrgico. A abordagem pode exigir a abertura do saco herniário para avaliar a viabilidade do conteúdo antes de sua redução. Se houver suspeita de sofrimento de alça que reduziu inadvertidamente durante a anestesia, a exploração da cavidade abdominal (via laparoscópica ou laparotômica) é mandatória para garantir que não haja segmento isquêmico remanescente.
A hérnia encarcerada é aquela que se tornou irredutível, ou seja, o conteúdo do saco herniário não retorna à cavidade abdominal, mas ainda mantém suprimento sanguíneo. Já a hérnia estrangulada é uma evolução da encarcerada, onde ocorre comprometimento do suprimento vascular (isquemia), levando à necrose do conteúdo. Clinicamente, o estrangulamento se manifesta com dor intensa, sinais flogísticos locais (calor, rubor) e sintomas sistêmicos como febre e vômitos.
A laparoscopia é uma excelente ferramenta em casos de dúvida sobre a viabilidade da alça intestinal após a redução espontânea ou cirúrgica do conteúdo. Ela permite a inspeção direta da cavidade abdominal para verificar se há necrose ou perfuração, evitando laparotomias desnecessárias ou a permanência de tecido inviável dentro do abdome, o que poderia causar peritonite tardia.
Tradicionalmente, o uso de telas inorgânicas (polipropileno) é evitado em campos francamente contaminados ou infectados (estrangulamento com necrose e perfuração) devido ao risco de infecção do sítio cirúrgico e rejeição da prótese. No entanto, em casos de encarceramento sem evidência de contaminação grosseira, o uso pode ser discutido. A questão ressalta que a urgência cirúrgica é a prioridade absoluta.
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