HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024
Homem, 30 anos, submetido a herniorrafia inguinal direta à direita há 5 anos por inguinotomia (técnica de Lichtenstein), retorna ao ambulatório com abaulamento redutível em ambas as regiões inguinais, sendo indicado herniorrafia inguinal bilateral por videolaparoscopia. Durante a herniorrafia videolaparoscópica, os seguintes achados intra-operatórios foram observados:I. Região inguinal direita: migração do íleo terminal através do anel inguinal profundo e ausência de deslocamento dos vasos epigástricos inferiores.II. Região inguinal esquerda: orifício herniário grande no trígono inguinal contendo cólon sigmóide e desvio dos vasos epigástricos inferiores. Em relação aos achados intra-operatórios e histórico do paciente, está correto afirmar:
Hérnia inguinal direta = medial aos vasos epigástricos inferiores (trígono inguinal); Hérnia inguinal indireta = lateral aos vasos epigástricos inferiores (anel inguinal profundo).
A diferenciação entre hérnia inguinal direta e indireta é crucial para o diagnóstico e tratamento, baseando-se na relação com os vasos epigástricos inferiores. A hérnia indireta passa pelo anel inguinal profundo (lateral aos vasos), enquanto a direta protrui pelo trígono inguinal (medial aos vasos). A classificação de Nyhus auxilia no estadiamento e na escolha da técnica cirúrgica.
As hérnias inguinais são as hérnias da parede abdominal mais comuns, e sua correção cirúrgica é um dos procedimentos mais realizados em cirurgia geral. A diferenciação entre hérnia inguinal direta e indireta é fundamental, pois elas possuem diferentes anatomias e implicações cirúrgicas. A hérnia indireta é congênita, passa pelo anel inguinal profundo (lateral aos vasos epigástricos inferiores), enquanto a direta é adquirida, protrui pelo trígono inguinal (medial aos vasos epigástricos inferiores). A classificação de Nyhus é amplamente utilizada para descrever as hérnias inguinais, auxiliando no planejamento cirúrgico. Por exemplo, o tipo II é uma hérnia indireta com anel inguinal profundo dilatado, mas parede posterior intacta. O tipo III B é uma hérnia direta que destrói a parede posterior do canal inguinal. A escolha da técnica cirúrgica (aberta como Lichtenstein ou laparoscópica como TAPP/TEP) depende do tipo de hérnia, experiência do cirurgião e condições do paciente. Complicações como a orquite isquêmica e atrofia testicular são riscos potenciais da herniorrafia, especialmente em casos de hérnias grandes, recidivadas ou com manipulação excessiva do cordão espermático. A orquite isquêmica é mais comum em hérnias indiretas, devido à maior proximidade do saco herniário com os elementos do cordão. A abordagem laparoscópica, por permitir uma visão mais ampla e menos dissecção do cordão em alguns casos, pode ter um risco menor de certas complicações em comparação com a cirurgia aberta em situações específicas.
A hérnia inguinal indireta passa lateralmente aos vasos epigástricos inferiores, através do anel inguinal profundo, enquanto a hérnia inguinal direta protrui medialmente aos vasos epigástricos inferiores, através do trígono inguinal (parede posterior do canal inguinal).
A classificação de Nyhus tipo III B refere-se a uma hérnia inguinal direta grande, que destrói a parede posterior do canal inguinal, ou a uma hérnia mista (direta e indireta).
A orquite isquêmica é uma complicação rara, mas grave, da herniorrafia inguinal, causada por lesão ou compressão dos vasos do cordão espermático. É mais comum em hérnias indiretas grandes e recidivadas, e pode levar à atrofia testicular. O risco é menor em abordagens que minimizam a manipulação do cordão, como a videolaparoscopia.
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