MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 42 anos, trabalhador da construção civil, procura atendimento queixando-se de abaulamentos em ambas as regiões inguinais que surgiram há cerca de oito meses. O desconforto piora ao final do dia e após carregar peso, melhorando com o repouso. Ao exame físico, apresenta massas redutíveis e indolores em ambas as regiões inguinais, que se tornam evidentes à manobra de Valsalva. O paciente é tabagista (15 maços-ano), IMC de 26 kg/m², e relata ter realizado uma videolaparoscopia diagnóstica há 3 anos por dor abdominal crônica, sem achados significativos. Na ocasião, refere que foi informado de "aderências extensas" entre alças intestinais. Considerando as recomendações das diretrizes internacionais para o tratamento cirúrgico das hérnias inguinais bilaterais, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada:
Hérnia inguinal bilateral → Preferência por via laparoscópica (TEP ou TAPP) em tempo único.
A via laparoscópica reduz a dor pós-operatória e permite o reparo simultâneo de ambos os lados; a técnica TEP é ideal quando se deseja evitar a cavidade peritoneal.
O tratamento das hérnias inguinais evoluiu significativamente com a consolidação das técnicas minimamente invasivas. Para hérnias bilaterais, as diretrizes da International Hernia Society recomendam fortemente a abordagem laparoscópica. A técnica TEP (Totalmente Extraperitoneal) destaca-se por criar um espaço de trabalho entre a fáscia transversalis e o peritônio parietal, permitindo a colocação de telas amplas que cobrem todos os orifícios de fraqueza da região inguinal (Miopectíneo de Fruchaud). No caso clínico apresentado, a presença de aderências extensas intra-abdominais torna a TEP uma escolha estratégica superior à TAPP, pois evita a necessidade de lise de aderências e reduz o risco de complicações intestinais, mantendo os benefícios da recuperação acelerada.
O reparo laparoscópico para hérnias inguinais bilaterais oferece vantagens significativas em relação à técnica aberta (Lichtenstein bilateral), incluindo menor dor pós-operatória, retorno mais rápido às atividades laborais e melhores resultados estéticos. Além disso, permite a visualização direta de ambos os canais inguinais e do espaço pré-peritoneal através de pequenas incisões, facilitando o tratamento simultâneo sem a necessidade de grandes incisões bilaterais.
A técnica TAPP (Transabdominal Preperitoneal) acessa o espaço pré-peritoneal através da cavidade peritoneal, exigindo a abertura e posterior fechamento do peritônio. Já a técnica TEP (Totally Extraperitoneal) realiza todo o procedimento no espaço pré-peritoneal, sem nunca entrar na cavidade abdominal. A TEP é vantajosa em pacientes com cirurgias abdominais prévias que possam ter aderências intestinais, pois minimiza o risco de lesões viscerais acidentais.
A técnica de Lichtenstein (via anterior aberta) continua sendo o 'padrão-ouro' para hérnias inguinais unilaterais em muitos centros, especialmente quando há contraindicação à anestesia geral (necessária para laparoscopia) ou em casos de hérnias inguino-escrotais gigantes e complexas. Também é a escolha em serviços onde a expertise laparoscópica ou o equipamento necessário não estão disponíveis, mantendo excelentes taxas de sucesso e baixa recorrência.
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