Hérnia Inguinal: Técnica de Lichtenstein e Reparo com Tela

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

As hérnias na região inguinal estão divididas em hérnias inguinais diretas, indiretas e femorais. Em relação ao tratamento cirúrgico dessas hérnias, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A técnica de Shouldice é realizada através da sutura dos arcos músculo-aponeuróticos do transverso do abdome e do oblíquo interno ou tendão conjunto ao ligamento inguinal.
  2. B) A técnica de Bassini preconiza o reparo com o embaciamento de várias camadas da parede posterior do canal inguinal, utilizando sutura contínua.
  3. C) A técnica de McVay é considerada uma abordagem pré-peritoneal, semelhante à abordagem de Stoppa.
  4. D) A técnica de Lichtenstein preconiza a herniorrafia livre de tensão e utiliza uma prótese cobrindo o canal inguinal, que é fixada ao ligamento inguinal, tendão conjunto, tecido aponeurótico cobrindo o osso púbico e continuado ao longo do transverso abdominal.
  5. E) Entre as técnicas cirúrgicas de correção das hérnias inguinais, a que tem maior índice de recidiva é a técnica de Lichtenstein.

Pérola Clínica

Lichtenstein = reparo de hérnia inguinal livre de tensão com tela, baixa recidiva.

Resumo-Chave

A técnica de Lichtenstein é o padrão-ouro para o reparo de hérnias inguinais, caracterizada pelo uso de uma tela para reforço da parede posterior do canal inguinal, proporcionando um reparo livre de tensão e com baixas taxas de recidiva.

Contexto Educacional

As hérnias inguinais são uma das patologias cirúrgicas mais comuns, afetando milhões de pessoas globalmente. Elas são classificadas em diretas (protusão através da parede posterior do canal inguinal), indiretas (através do anel inguinal profundo) e femorais (abaixo do ligamento inguinal). O tratamento é predominantemente cirúrgico, visando aliviar sintomas, prevenir complicações como encarceramento e estrangulamento, e restaurar a integridade da parede abdominal. A fisiopatologia envolve um enfraquecimento da parede abdominal na região inguinal, seja congênito (hérnias indiretas) ou adquirido (hérnias diretas e femorais). O diagnóstico é clínico, com a identificação de uma protuberância redutível na região inguinal. A escolha da técnica cirúrgica depende de fatores como o tipo de hérnia, o estado do paciente e a experiência do cirurgião. As técnicas podem ser divididas em reparos teciduais (Bassini, Shouldice, McVay) e reparos com tela (Lichtenstein, laparoscópicas). A técnica de Lichtenstein é o padrão-ouro para o reparo de hérnias inguinais devido à sua simplicidade, eficácia e baixas taxas de recidiva. Ela preconiza um reparo "livre de tensão" utilizando uma tela sintética para reforçar a parede posterior do canal inguinal. Outras abordagens incluem as técnicas laparoscópicas (TAPP e TEP), que também utilizam tela e são indicadas para hérnias bilaterais ou recidivadas. O prognóstico é geralmente excelente, com baixa morbidade quando a técnica é bem executada.

Perguntas Frequentes

Qual a principal vantagem da técnica de Lichtenstein em relação às outras?

A principal vantagem da técnica de Lichtenstein é o reparo livre de tensão, que utiliza uma tela para reforçar a parede posterior do canal inguinal. Isso resulta em menor dor pós-operatória e, principalmente, em taxas de recidiva significativamente mais baixas em comparação com as técnicas de reparo tecidual.

Quais são as principais técnicas de reparo tecidual para hérnia inguinal?

As principais técnicas de reparo tecidual incluem Bassini (sutura do tendão conjunto ao ligamento inguinal), Shouldice (reforço de múltiplas camadas da parede posterior) e McVay (sutura do tendão conjunto ao ligamento de Cooper). Elas envolvem suturas sob tensão, o que pode levar a mais dor e maior recidiva.

Onde a tela é fixada na técnica de Lichtenstein?

Na técnica de Lichtenstein, a tela é fixada ao ligamento inguinal inferiormente, ao tendão conjunto superiormente, ao tecido aponeurótico que cobre o osso púbico medialmente e estendida lateralmente ao longo do músculo transverso abdominal, cobrindo todo o defeito.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo