UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
As hérnias na região inguinal estão divididas em hérnias inguinais diretas, indiretas e femorais. Em relação ao tratamento cirúrgico dessas hérnias, é correto afirmar:
Lichtenstein = reparo de hérnia inguinal livre de tensão com tela, baixa recidiva.
A técnica de Lichtenstein é o padrão-ouro para o reparo de hérnias inguinais, caracterizada pelo uso de uma tela para reforço da parede posterior do canal inguinal, proporcionando um reparo livre de tensão e com baixas taxas de recidiva.
As hérnias inguinais são uma das patologias cirúrgicas mais comuns, afetando milhões de pessoas globalmente. Elas são classificadas em diretas (protusão através da parede posterior do canal inguinal), indiretas (através do anel inguinal profundo) e femorais (abaixo do ligamento inguinal). O tratamento é predominantemente cirúrgico, visando aliviar sintomas, prevenir complicações como encarceramento e estrangulamento, e restaurar a integridade da parede abdominal. A fisiopatologia envolve um enfraquecimento da parede abdominal na região inguinal, seja congênito (hérnias indiretas) ou adquirido (hérnias diretas e femorais). O diagnóstico é clínico, com a identificação de uma protuberância redutível na região inguinal. A escolha da técnica cirúrgica depende de fatores como o tipo de hérnia, o estado do paciente e a experiência do cirurgião. As técnicas podem ser divididas em reparos teciduais (Bassini, Shouldice, McVay) e reparos com tela (Lichtenstein, laparoscópicas). A técnica de Lichtenstein é o padrão-ouro para o reparo de hérnias inguinais devido à sua simplicidade, eficácia e baixas taxas de recidiva. Ela preconiza um reparo "livre de tensão" utilizando uma tela sintética para reforçar a parede posterior do canal inguinal. Outras abordagens incluem as técnicas laparoscópicas (TAPP e TEP), que também utilizam tela e são indicadas para hérnias bilaterais ou recidivadas. O prognóstico é geralmente excelente, com baixa morbidade quando a técnica é bem executada.
A principal vantagem da técnica de Lichtenstein é o reparo livre de tensão, que utiliza uma tela para reforçar a parede posterior do canal inguinal. Isso resulta em menor dor pós-operatória e, principalmente, em taxas de recidiva significativamente mais baixas em comparação com as técnicas de reparo tecidual.
As principais técnicas de reparo tecidual incluem Bassini (sutura do tendão conjunto ao ligamento inguinal), Shouldice (reforço de múltiplas camadas da parede posterior) e McVay (sutura do tendão conjunto ao ligamento de Cooper). Elas envolvem suturas sob tensão, o que pode levar a mais dor e maior recidiva.
Na técnica de Lichtenstein, a tela é fixada ao ligamento inguinal inferiormente, ao tendão conjunto superiormente, ao tecido aponeurótico que cobre o osso púbico medialmente e estendida lateralmente ao longo do músculo transverso abdominal, cobrindo todo o defeito.
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