UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
As hérnias inguinais são um problema frequente e o seu reparo representa a cirurgia mais comumente realizada por cirurgiões gerais. Nos últimos anos, novos princípios, produtos e técnicas têm mudado a rotina dos cirurgiões que precisam reciclar conhecimentos e aperfeiçoar novas habilidades.Segundo o resultado de uma metanálise publicada em 2019, quais afirmativas estão INCORRETAS
Hérnia inguinal: Diagnóstico é CLÍNICO. Imagem (USG) apenas em casos duvidosos.
A TC não é o exame inicial para hérnias; o diagnóstico é eminentemente clínico. A conduta em assintomáticos pode ser observação ('watchful waiting'), mas muitos evoluem para cirurgia.
O reparo de hérnia inguinal é uma das cirurgias mais realizadas no mundo. As diretrizes internacionais (International Guidelines for Groin Hernia Management) enfatizam a importância da técnica livre de tensão (tension-free) com uso de próteses (telas). A abordagem laparoscópica (TAPP ou TEP) tem ganhado espaço por proporcionar menos dor pós-operatória e retorno mais rápido às atividades, sendo especialmente indicada para hérnias bilaterais e recidivadas após técnica aberta.
O diagnóstico da hérnia inguinal é primariamente clínico, baseado na história e exame físico (manobra de Valsalva). Exames de imagem são indicados apenas quando há dúvida diagnóstica, como em pacientes obesos ou com dor inguinal sem abaulamento evidente. Nesses casos, a ultrassonografia é o exame inicial devido ao baixo custo e disponibilidade. A TC ou RM são reservadas para casos complexos ou diagnósticos diferenciais de dor pélvica.
Para homens com hérnias inguinais assintomáticas ou minimamente sintomáticas, a conduta de 'observação vigilante' (watchful waiting) é uma opção segura. No entanto, estudos mostram que cerca de 70% desses pacientes acabarão desenvolvendo sintomas (dor ou desconforto) ao longo de 5 a 10 anos, necessitando de cirurgia eletiva. O risco de encarceramento agudo é baixo (menos de 1% ao ano).
A tricotomia não deve ser rotineira; se necessária, deve ser feita imediatamente antes da cirurgia com tricotomizador elétrico para reduzir o risco de infecção do sítio cirúrgico. Quanto às telas, seu uso é o padrão-ouro no reparo de hérnias inguinais (técnica de Lichtenstein ou laparoscopia), pois reduz drasticamente as taxas de recidiva em comparação com reparos primários (com sutura), sendo fortemente recomendada em hérnias recidivadas.
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