FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Assinale a opção correta, a respeito das hérnias inguinais.
Hérnia inguinal = ↓ relação colágeno tipo I/III + enfraquecimento da fáscia transversalis.
A fisiopatologia das hérnias envolve alterações na síntese de colágeno, especificamente a redução da razão entre colágeno tipo I (resistente) e tipo III (elástico), fragilizando a parede abdominal.
As hérnias da região inguinal representam uma das patologias mais comuns na prática do cirurgião geral. A compreensão da anatomia do canal inguinal, incluindo os limites do triângulo de Hesselbach e o orifício miopectíneo de Fruchaud, é essencial para o tratamento cirúrgico adequado. A distinção entre hérnias diretas (mediais aos vasos epigástricos inferiores) e indiretas (laterais aos vasos) guia a técnica operatória. Além da anatomia, a biologia molecular do tecido conjuntivo desempenha um papel crucial. Estudos mostram que fumantes e indivíduos com doenças sistêmicas do colágeno apresentam maior incidência de hérnias devido à degradação proteolítica aumentada. O tratamento é predominantemente cirúrgico, visando o reforço da parede posterior, frequentemente com o uso de telas (técnica de Lichtenstein) para reduzir a tensão e as taxas de recidiva.
O colágeno tipo I é responsável pela força tênsil e maturidade do tecido conjuntivo, enquanto o tipo III é mais imaturo e elástico. Em pacientes com hérnias inguinais, observa-se uma alteração qualitativa e quantitativa, com uma redução na proporção de colágeno tipo I em relação ao tipo III. Essa mudança resulta em uma fáscia transversalis e parede abdominal mais fracas e propensas a protrusões através de defeitos anatômicos, como o anel inguinal profundo ou o triângulo de Hesselbach.
A classificação de Nyhus é fundamental na cirurgia. O Tipo I refere-se a hérnias indiretas com anel inguinal interno normal (comum em crianças). O Tipo II são hérnias indiretas com anel interno dilatado, mas parede posterior preservada. O Tipo III envolve defeitos na parede posterior: IIIa (direta), IIIb (indireta com destruição da parede posterior ou mista/em pantufa) e IIIc (femoral). O Tipo IV refere-se às hérnias recidivantes.
O diagnóstico da hérnia inguinal é eminentemente clínico, baseado na anamnese e exame físico (manobra de Valsalva). Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia computadorizada são reservados para casos de dúvida diagnóstica, como em pacientes obesos ou quando há dor inguinal sem abaulamento evidente. A ultrassonografia é geralmente o primeiro exame solicitado devido ao baixo custo e disponibilidade, mas a TC ou RNM podem ser necessárias para diagnósticos diferenciais complexos.
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