INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um paciente de 27 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde preocupada com um abaulamento em região inguinal à direita que surgiu há dois meses. Nega outras queixas. No exame clínico, IMC = 20 kg/m² (VR = 18 - 25 kg/m²) e não há sinais flogísticos locais; a massa de cerca de 5 cm é facilmente redutível. Ao exame clínico não apresentou dor ou qualquer outro achado. Qual das condutas a seguir é a mais indicada nessa situação?
Hérnia inguinal em jovens = Indicação cirúrgica eletiva para prevenir complicações.
Toda hérnia inguinal diagnosticada em pacientes jovens e saudáveis deve ser encaminhada para correção cirúrgica eletiva, visando evitar o risco futuro de encarceramento e estrangulamento.
As hérnias da parede abdominal, especificamente as inguinais, são condições extremamente comuns na prática cirúrgica. Elas ocorrem devido a uma fraqueza na musculatura da parede posterior (hérnias diretas) ou pela persistência do conduto peritônio-vaginal (hérnias indiretas). O tratamento definitivo é sempre cirúrgico, através da hernioplastia com ou sem colocação de tela (técnica de Lichtenstein sendo o padrão-ouro). No contexto da Atenção Primária, o médico deve ser capaz de identificar a hérnia, avaliar a redutibilidade e orientar o paciente sobre os sinais de alarme. Pacientes jovens devem ser encaminhados para cirurgia eletiva, pois a correção previne a necessidade de intervenções de urgência, que possuem maior morbimortalidade e maior taxa de recidiva.
A hérnia encarcerada ocorre quando o conteúdo herniário (geralmente alça intestinal ou omento) fica preso no saco herniário e não pode ser reduzido para a cavidade abdominal, mas ainda mantém o suprimento sanguíneo preservado. Já a hérnia estrangulada é uma evolução da encarcerada, onde a compressão dos vasos leva à isquemia, necrose e eventual perfuração do conteúdo. Clinicamente, a hérnia estrangulada apresenta sinais flogísticos (dor intensa, calor, rubor) e sintomas de obstrução intestinal ou sepse, exigindo cirurgia de emergência imediata.
O tratamento conservador, ou observação vigilante, pode ser considerado em pacientes do sexo masculino, idosos, que apresentam hérnias inguinais minimamente sintomáticas ou assintomáticos e que possuem alto risco cirúrgico devido a comorbidades. Estudos mostram que, nesses casos específicos, o risco de estrangulamento é baixo (cerca de 0,2% ao ano). No entanto, em pacientes jovens (como o do caso, de 27 anos), a expectativa de vida longa aumenta a probabilidade de complicações futuras, tornando a cirurgia eletiva a conduta padrão e mais segura.
O diagnóstico da hérnia inguinal é eminentemente clínico. Baseia-se na anamnese (relato de abaulamento que surge ao esforço) e no exame físico com o paciente em pé e em decúbito, utilizando a manobra de Valsalva. A palpação do canal inguinal através do anel inguinal externo permite sentir a protrusão. Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância, são reservados apenas para casos de dúvida diagnóstica (como dor inguinal sem abaulamento visível) ou para diferenciar de outras massas, como linfonodomegalias ou hidroceles.
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