IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 28 anos de idade, previamente hígida, comparece em consulta ambulatorial por perceber abaulamento em região inguinocrural esquerda aos esforços, sem outras alterações associadas. Nega alterações urinárias, intestinais e menstruais. No momento, encontra-se assintomática. Ao exame físico, observa-se abaulamento inguinal esquerdo acima do ligamento inguinal durante manobra de Valsalva, com redução espontânea ao repouso. Não foram identificadas outras alterações ao exame físico. Quais são, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica e a conduta recomendada para essa paciente?
Hérnia inguinal em mulheres → sempre cirurgia (risco oculto de hérnia femoral e encarceramento).
Diferente dos homens, onde o 'watchful waiting' é opção para hérnias inguinais assintomáticas, em mulheres a cirurgia é sempre indicada pelo alto risco de hérnia femoral associada.
O manejo das hérnias inguinais sofreu mudanças com os estudos de 'watchful waiting' em homens, que mostraram segurança na observação de casos assintomáticos. Contudo, esses estudos não incluíram mulheres. A anatomia feminina predispõe a hérnias femorais, que são as que mais encarcera. Na prática, ao identificar um abaulamento inguinal em uma paciente jovem, a conduta deve ser o encaminhamento para cirurgia eletiva. O uso de telas (Lichtenstein ou técnicas laparoscópicas) é o padrão-ouro para reduzir a recidiva, sendo a laparoscopia (TAPP ou TEP) particularmente vantajosa em mulheres por permitir a inspeção direta do espaço femoral bilateralmente.
O principal motivo é a dificuldade de diferenciar clinicamente a hérnia inguinal da femoral em mulheres. Hérnias femorais têm um risco muito elevado de encarceramento e estrangulamento (até 40% em alguns estudos). Além disso, cerca de 40% das mulheres operadas por 'hérnia inguinal' apresentam uma hérnia femoral concomitante ou oculta.
A hérnia inguinal ocorre acima do ligamento inguinal, através do canal inguinal. A hérnia femoral (ou crural) ocorre abaixo do ligamento inguinal, através do canal femoral, medialmente aos vasos femorais. Em mulheres, o canal femoral é proporcionalmente mais largo, facilitando a herniação.
Não. As diretrizes internacionais (International Hernia Collaboration) recomendam o reparo cirúrgico para todas as hérnias da região inguinal em mulheres, independentemente dos sintomas, devido ao risco desproporcional de complicações agudas em comparação aos homens.
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