Hérnia Inguinal e Femoral: Diagnóstico e Técnicas Cirúrgicas

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Paciente com 65 anos, refere abaulamento em região inguinal esquerda, aos esforços. Fez ultrassonografia de partes moles com diagnóstico: hérnia inguinal esquerda. Durante o ato cirúrgico observou-se: o anel inguinal profundo com menos de 1cm de diâmetro, contendo ligamento uterino; falha no anel femoral de 2 a 3 cm com respectivo saco herniário. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Fazer tratamento conservador com uso de funda.
  2. B) Cirurgia com uso de tela fixada caudalmente ao ligamento inguinal.
  3. C) Redução da hérnia sem uso de prótese à Bassini.
  4. D) Correção cirúrgica à Shouldice.
  5. E) Uso de técnica com a margem caudal de fixação no ligamento pectíneo.

Pérola Clínica

Hérnia femoral = saco herniário medial aos vasos femorais, abaixo do ligamento inguinal, reparo com fixação no ligamento pectíneo.

Resumo-Chave

O caso descreve uma hérnia inguinal (anel profundo <1cm com ligamento uterino) e uma falha no anel femoral (2-3cm com saco herniário). A presença de falha no anel femoral com saco herniário é característica de hérnia femoral. O reparo de hérnias femorais frequentemente envolve a fixação da margem caudal ao ligamento pectíneo (Cooper), como na técnica de McVay ou plug/tela.

Contexto Educacional

As hérnias da parede abdominal, particularmente as inguinais e femorais, são condições cirúrgicas extremamente comuns, com alta prevalência na população idosa. A distinção entre hérnia inguinal (direta ou indireta) e femoral é crucial para o planejamento cirúrgico e para a compreensão dos riscos associados, sendo a hérnia femoral mais propensa a complicações como o encarceramento e estrangulamento devido à rigidez e estreiteza do anel femoral. A fisiopatologia envolve uma fraqueza na parede abdominal ou um defeito congênito que permite a protrusão de conteúdo intra-abdominal. O diagnóstico é primariamente clínico, com a identificação de um abaulamento na região inguinal ou femoral, que pode ser exacerbado por esforços. Exames de imagem, como ultrassonografia, podem confirmar o diagnóstico e auxiliar na diferenciação, especialmente em casos atípicos ou obesos. O tratamento definitivo para hérnias inguinais e femorais é cirúrgico. As técnicas variam desde reparos sem tela (como Bassini e Shouldice, que envolvem sutura de tecidos) até reparos com tela (como Lichtenstein, TEP e TAPP, que utilizam material protético para reforço da parede). Para hérnias femorais, técnicas que fixam a margem caudal ao ligamento pectíneo (Cooper), como a técnica de McVay ou o uso de tela com fixação nessa estrutura, são frequentemente empregadas para ocluir o anel femoral e prevenir a recorrência.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença anatômica entre hérnia inguinal e hérnia femoral?

A hérnia inguinal ocorre através do canal inguinal (direta ou indireta), acima do ligamento inguinal. A hérnia femoral protrui através do anel femoral, medial aos vasos femorais e abaixo do ligamento inguinal, sendo mais comum em mulheres e com maior risco de encarceramento.

Quais são as principais técnicas cirúrgicas para reparo de hérnias inguinais?

As técnicas mais comuns incluem as sem tela (Bassini, Shouldice, McVay) e as com tela (Lichtenstein, plug and patch, laparoscópicas como TEP e TAPP). A escolha depende de fatores como tipo de hérnia, experiência do cirurgião e condições do paciente.

Por que a hérnia femoral tem maior risco de complicações?

O anel femoral é um espaço estreito e rígido, o que aumenta significativamente o risco de encarceramento e estrangulamento do conteúdo herniário, tornando a hérnia femoral uma condição que frequentemente requer intervenção cirúrgica de urgência.

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