CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
As hérnias da parede anterior do abdome são patologias das mais frequentes no paciente cirúrgico e o conhecimento da sua anatomia e de suas possíveis complicações são essenciais no seu tratamento adequado. Sobre as hérnias da parede abdominal, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA: I. Hérnia inguinal cujo conteúdo do saco herniário contém o apêndice cecal é conhecida como hérnia de Littré; II. A técnica de Lichtenstein é de fácil reprodução e apresenta baixos índices de recidiva quando comparada à técnica de Bassini; III. Tanto hérnias inguinais diretas quanto hérnias inguinais indiretas podem ser tratadas por via laparoscópica; IV. Uma hérnia inguinoscrotal, não redutível, bastante dolorosa à palpação, com sinais flogísticos exuberantes configura provável estrangulamento do seu conteúdo; V. Hérnias Nyhus I são adquiridas.
Hérnia de Amyand = apêndice no saco herniário; Hérnia de Littré = divertículo de Meckel no saco herniário.
A técnica de Lichtenstein, com uso de tela, é o padrão-ouro para reparo de hérnias inguinais devido à sua baixa taxa de recidiva e facilidade de reprodução. A abordagem laparoscópica (TAPP ou TEP) é eficaz para hérnias diretas e indiretas, oferecendo recuperação mais rápida.
As hérnias da parede abdominal são patologias cirúrgicas extremamente comuns, exigindo dos residentes um profundo conhecimento de sua anatomia, fisiopatologia e opções de tratamento. As hérnias inguinais, em particular, podem ser diretas (adquiridas, através do triângulo de Hesselbach) ou indiretas (congênitas, através do anel inguinal interno), e ambas podem ser abordadas cirurgicamente. O tratamento cirúrgico visa o reparo do defeito da parede abdominal e a prevenção de complicações. A técnica de Lichtenstein, que utiliza uma tela para reforço, é amplamente aceita como padrão-ouro para hérnias inguinais devido à sua eficácia e baixa taxa de recidiva. Além disso, a cirurgia laparoscópica (TAPP - Transabdominal Preperitoneal ou TEP - Totalmente Extraperitoneal) oferece uma alternativa minimamente invasiva, com recuperação mais rápida e menor dor pós-operatória, sendo aplicável tanto para hérnias diretas quanto indiretas. É crucial que o médico saiba identificar e diferenciar as complicações das hérnias, como o encarceramento (não redutível) e o estrangulamento (encarceramento com comprometimento vascular e isquemia do conteúdo). O estrangulamento é uma emergência cirúrgica, manifestando-se com dor intensa, sinais flogísticos locais e, por vezes, sintomas sistêmicos. A classificação de Nyhus ajuda a guiar a conduta, sendo as hérnias tipo I congênitas e indiretas, com anel inguinal interno normal.
A hérnia de Littré é uma hérnia que contém um divertículo de Meckel no saco herniário, enquanto a hérnia de Amyand é uma hérnia inguinal que contém o apêndice cecal, que pode estar inflamado ou perfurado.
A técnica de Lichtenstein é um reparo sem tensão que utiliza uma tela protética para reforçar a parede posterior do canal inguinal, resultando em baixas taxas de recidiva, facilidade de execução e menor dor pós-operatória em comparação com técnicas de reparo primário.
Deve-se suspeitar de estrangulamento quando uma hérnia se torna não redutível, extremamente dolorosa, e apresenta sinais flogísticos locais como eritema, calor e edema, além de sintomas sistêmicos como náuseas, vômitos e febre. Isso indica isquemia do conteúdo herniado e é uma emergência cirúrgica.
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