USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Homem de 35 anos de idade, trabalhador da construção civil, queixase em consulta abaulamento em região inguinal esquerda com aumento progressivo no último ano. Relata que o volume e a dor são maiores durante esforço físico. Antecedentes pessoais: apendicectomia por via aberta há 10 anos. Tabagista ativo e etilista social.Ao exame clínico; Abaulamento inguinal à esquerda de pequeno volume que aumenta sensivelmente quando realizada manobra de valsalva, redutível quando em decúbito dorsal horizontal.Qual é o diagnóstico e qual deve ser o procedimento proposto para correção?
Abaulamento inguinal + Valsalva (+) + Redutível → Hérnia Inguinal; Conduta: Hernioplastia (Lichtenstein).
O diagnóstico de hérnia inguinal é eminentemente clínico. Em pacientes sintomáticos e trabalhadores braçais, a correção cirúrgica com tela (Lichtenstein) é o padrão-ouro.
As hérnias inguinais representam uma das patologias cirúrgicas mais comuns na prática médica. O diagnóstico baseia-se na história clínica de abaulamento que surge ou piora com o esforço e no exame físico detalhado, utilizando a manobra de Valsalva para evidenciar o defeito. A diferenciação entre direta e indireta é anatômica, mas a conduta cirúrgica definitiva é guiada pela presença de sintomas e impacto na qualidade de vida. A técnica de Lichtenstein revolucionou o tratamento ao reduzir drasticamente a tensão na linha de sutura, diminuindo a dor pós-operatória e o risco de recidiva. Para residentes, é fundamental dominar a anatomia do canal inguinal, incluindo os limites do triângulo de Hesselbach e a relação com os vasos epigástricos inferiores, para garantir uma dissecção segura e o posicionamento correto da tela.
A hérnia indireta ocorre lateralmente aos vasos epigástricos inferiores, através do anel inguinal interno, sendo mais comum e frequentemente congênita. A hérnia direta ocorre medialmente aos vasos epigástricos, no triângulo de Hesselbach, devido à fraqueza da parede posterior (fáscia transversalis). Clinicamente, o manejo cirúrgico é semelhante para ambas no adulto.
A cirurgia está indicada em pacientes sintomáticos (dor, desconforto, limitação laboral) ou naqueles com alto risco de encarceramento. Em pacientes assintomáticos, a conduta expectante ('watchful waiting') pode ser discutida, mas a maioria dos pacientes acabará necessitando de cirurgia ao longo do tempo devido à progressão dos sintomas.
A técnica de Lichtenstein é uma hernioplastia 'tension-free' que utiliza uma tela de polipropileno para reforçar a parede posterior do canal inguinal. Ela apresenta baixas taxas de recorrência (menores que 1-4%), pode ser realizada sob anestesia local e permite um retorno rápido às atividades, sendo a referência para comparação com outras técnicas.
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