HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2025
O tratamento cirúrgico MAIS indicado para hérnia incisional gigante, com perda de domicílio, em um paciente sem contraindicações cirúrgicas significativas é:
Hérnia incisional gigante com perda de domicílio → técnica de separação de componentes (ex: TAR) para restaurar a linha média sem tensão.
Em hérnias gigantes com 'perda de domicílio', o conteúdo visceral não cabe mais na cavidade abdominal. A técnica de separação de componentes, como a TAR (Transversus Abdominis Release), aumenta o volume da cavidade ao permitir o avanço dos músculos da parede abdominal, possibilitando um fechamento sem tensão e com reforço de tela.
A hérnia incisional gigante com perda de domicílio representa um dos maiores desafios na cirurgia de reconstrução da parede abdominal. Essa condição ocorre quando uma grande porção das vísceras abdominais se projeta através de um defeito fascial, permanecendo cronicamente fora da cavidade abdominal. Com o tempo, a parede abdominal se retrai e a cavidade 'encolhe', perdendo o 'direito de domicílio' sobre o conteúdo herniado. O tratamento dessas hérnias complexas vai além de simplesmente fechar o defeito. A tentativa de um reparo primário ou com técnicas convencionais está fadada ao fracasso e pode ser perigosa, levando à síndrome compartimental abdominal (SCA) pós-operatória. A SCA é uma emergência cirúrgica caracterizada por hipertensão intra-abdominal que compromete a perfusão de órgãos e a ventilação. A abordagem padrão-ouro para esses casos é a reconstrução da parede abdominal com técnicas de separação de componentes. A mais utilizada atualmente é a Liberação do Músculo Transverso do Abdome (TAR - Transversus Abdominis Release). Essa técnica permite a recriação da linha alba e a restauração da dinâmica da parede abdominal, avançando os músculos para a linha média sem tensão. O reparo é sempre complementado com a colocação de uma grande tela protética, geralmente em posição retromuscular, para reforçar a parede e minimizar o risco de recidiva.
Significa que o volume do conteúdo herniado (vísceras) que está fora da cavidade abdominal é tão grande que ele não pode ser reintroduzido sem causar um aumento perigoso da pressão intra-abdominal. Isso pode levar à síndrome compartimental abdominal, com comprometimento respiratório e hemodinâmico.
A técnica de Liberação do Músculo Transverso do Abdome (TAR) envolve a secção do músculo transverso posteriormente, permitindo um grande avanço medial dos retalhos miofasciais. Isso aumenta o domínio da cavidade abdominal e possibilita o fechamento da linha média sem tensão, que é então reforçada com uma grande tela protética.
Um reparo primário criaria uma tensão imensa na linha de sutura, levando a isquemia tecidual, deiscência e uma taxa de recidiva próxima de 100%. Além disso, forçar o fechamento aumentaria a pressão intra-abdominal a níveis perigosos, causando síndrome compartimental.
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