Hérnia Incisional: Prevenção de Seroma Pós-Cirúrgico

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 70 anos, masculino, com obesidade grau II, é submetido a cirurgia para correção de hérnia incisional de incisão mediana realizada há 20 anos. Foi realizada extensa dissecção e colocação de tela de prolene, devido a extensão da hérnia. Assinale a alternativa com a conduta para evitar complicações pós-operatórias.

Alternativas

  1. A) Evitar uso de bisturi elétrico, para não causar lipólise e piora do acúmulo de gordura, e não drenar devido risco de infecção da tela.
  2. B) Colocar dreno a vácuo, do tipo Portovac ou de Blake, e indicar a sua retirada apenas quando estiver sem débito por 24 horas.
  3. C) Observar criteriosamente a saída de secreção da ferida e, caso se forme seroma, realizar a simples drenagem por punção.
  4. D) A colocação da tela está contraindicada e a cirurgia deveria ter sido feita com reparo primário e curativos compressivos.

Pérola Clínica

Grande dissecção + tela em obeso → Dreno a vácuo para prevenir seroma/infecção.

Resumo-Chave

Em cirurgias de hérnia incisional extensas, especialmente em pacientes obesos e com uso de tela, a formação de seroma é uma complicação comum. O uso de dreno a vácuo (Portovac, Blake) é fundamental para remover o acúmulo de fluidos e reduzir o espaço morto, diminuindo o risco de seroma e infecção da tela.

Contexto Educacional

A correção de hérnias incisionais, especialmente as de grande porte e em pacientes com fatores de risco como obesidade, é um procedimento cirúrgico comum que exige atenção à prevenção de complicações pós-operatórias. A utilização de telas protéticas, como a de prolene, é uma prática padrão para reforçar a parede abdominal e reduzir as taxas de recidiva, mas também introduz o risco de infecção e formação de seroma. O seroma, acúmulo de líquido seroso no espaço morto cirúrgico, é uma das complicações mais frequentes após grandes dissecções. Em pacientes obesos, a extensa manipulação do tecido adiposo e a maior área de dissecção contribuem para um risco elevado. A presença de seroma pode não apenas causar desconforto e atrasar a cicatrização, mas também aumentar significativamente o risco de infecção da tela, uma complicação grave que muitas vezes exige a remoção do material protético. Para mitigar esses riscos, a conduta mais adequada é a colocação de um dreno a vácuo, como o Portovac ou o dreno de Blake. Esses drenos permitem a remoção contínua de fluidos, reduzindo o espaço morto e promovendo a aderência dos tecidos. A retirada do dreno deve ser criteriosa, ocorrendo apenas quando o débito se torna mínimo e constante, geralmente após 24 horas sem secreção significativa, garantindo que o risco de acúmulo de fluidos seja minimizado antes da remoção.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes obesos têm maior risco de seroma após cirurgia de hérnia incisional?

Pacientes obesos possuem maior quantidade de tecido adiposo, que é mais vascularizado e propenso a sangramento e exsudação, além de um espaço morto maior após a dissecção, favorecendo o acúmulo de fluidos e a formação de seroma.

Qual a função do dreno a vácuo em cirurgias de hérnia incisional com tela?

O dreno a vácuo tem a função de remover o excesso de fluidos (sangue, linfa, exsudato) do campo cirúrgico, reduzir o espaço morto, promover a aderência dos tecidos e, consequentemente, diminuir a incidência de seroma e o risco de infecção da tela.

Quando o dreno a vácuo deve ser removido?

A remoção do dreno a vácuo é indicada quando o débito diário se torna mínimo e constante, geralmente abaixo de 20-30 mL por 24 horas, indicando que a produção de fluidos diminuiu significativamente.

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