Complicações na Correção de Hérnia Ventral e Uso de Telas

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 53 anos chega ao seu consultório com queixa de abaulamento abdominal e desconforto ocasional. Conta que o abaulamento piora quando fica em pé e causa dor ao longo do dia quando está ativa e que parece ter aumentado no último ano e não apresenta sintomas obstrutivos neste momento. Tem história de laparotomia mediana por trauma há 10 anos e correção de hérnia ventral há 6 anos com tela sintética. Teve um episódio de celulite no pós-operatório que foi tratado com antibióticos orais e tem diabetes, que é controlada por medicamentos orais. No exame, ela apresenta um grande defeito palpável no abdome e a tomografia computadorizada revela um defeito de 6 cm na linha média contendo omento e intestino delgado, além de dois defeitos adicionais de 1 cm na parte superior, sem evidência de obstrução. Em relação às complicações da correção de hérnia, qual das afirmações a seguir é VERDADEIRA?

Alternativas

  1. A) As taxas de infecção do sítio cirúrgico variam de 0 a 12% para cirurgias limpas e até 34% para cirurgias potencialmente contaminadas e contaminadas;
  2. B) As Comissões de Controle de Infecção Hospitalar definem infecções de tela como as que ocorrem até 6 meses após a implantação da prótese;
  3. C) A formação de seroma é comum no pós-operatório, apesar da colocação de drenos e, portanto, os drenos devem ser removidos dentro de 1 a 2 semanas para prevenir infecção retrógrada;
  4. D) Os organismos mais comuns identificados em infecções de tela são organismos gramnegativos, como as espécies Klebsiella e Proteus.

Pérola Clínica

Taxa de infecção em herniorrafia: 0-12% em cirurgias limpas e até 34% em contaminadas.

Resumo-Chave

A incidência de infecção do sítio cirúrgico em correções de hérnia é estratificada pela classificação de Altemeier, sendo significativamente maior em cirurgias contaminadas.

Contexto Educacional

A correção de hérnias ventrais complexas apresenta desafios significativos, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes mellitus. O uso de telas sintéticas reduziu as taxas de recidiva, mas introduziu complicações específicas relacionadas ao corpo estranho. A fisiopatologia da infecção de tela envolve a formação de biofilmes, que protegem as bactérias da ação de antibióticos e do sistema imune do hospedeiro. Clinicamente, é crucial diferenciar seromas (coleções líquidas estéreis) de abscessos ou infecções profundas. O manejo depende da estabilidade do paciente e da integração da tela. Em casos de infecção crônica da tela por germes como Staphylococcus aureus (mais comum que Gram-negativos), a remoção da prótese pode ser necessária para a resolução definitiva do quadro infeccioso.

Perguntas Frequentes

Qual a taxa de infecção em cirurgias de hérnia limpas?

Em cirurgias consideradas limpas, a taxa de infecção do sítio cirúrgico (ISC) varia geralmente entre 0% e 12%. Esse valor aumenta significativamente conforme o grau de contaminação do campo operatório, podendo atingir até 34% em casos de cirurgias potencialmente contaminadas ou contaminadas, onde a flora bacteriana já está presente ou há quebra de técnica asséptica.

Como é definida a infecção de tela?

Diferente de infecções comuns de ferida, a infecção de prótese (tela) é considerada uma infecção de sítio cirúrgico incisional profunda ou de órgão/espaço. Segundo critérios do CDC/NHSN, se um implante for colocado, o período de vigilância para infecção estende-se por até um ano, e não apenas 6 meses, devido ao potencial de biofilme bacteriano na prótese.

Drenos previnem a formação de seroma?

A formação de seroma é uma complicação comum, especialmente em grandes dissecções para colocação de telas. Embora drenos sejam frequentemente utilizados para reduzir o acúmulo de fluido, sua eficácia na prevenção absoluta de seromas é debatida, e o tempo de permanência deve ser equilibrado com o risco de infecção retrógrada pelo trajeto do dreno.

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