PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 53 anos se apresenta na sua clínica com queixa de protuberância abdominal e desconforto ocasional. Diz que a protuberância piora quando fica em pé, causa dor ao longo do dia, quando ela está ativa, e parece estar aumentando ao longo do último ano. A paciente não apresenta sintomas obstrutivos neste momento. Tem um histórico de uma laparotomia mediana para trauma há 10 anos e um reparo de hérnia ventral há seis anos, com tela sintética. Teve um episódio de celulite no pós-operatório que foi tratado com antibióticos orais. A paciente tem diabetes, que é controlado com medicamentos orais, e, no mais, é saudável. No exame físico, tem um grande defeito abdominal palpável. A tomografia computadorizada revelou um defeito mediano de 6 cm, contendo omento e intestino delgado, bem como dois defeitos adicionais de 1cm, superiormente ao primeiro e sem evidência de obstrução. Qual das seguintes opções é VERDADEIRA em relação à tela?
Infecções de tela sintética macroporosa podem ser tratadas com VAC sem necessidade de remoção imediata.
Telas sintéticas de monofilamento e macroporosas permitem a passagem de macrófagos e tecido de granulação, possibilitando o salvamento da prótese com curativo a vácuo em casos de infecção.
A reconstrução da parede abdominal em pacientes com múltiplas recidivas e comorbidades como diabetes é um desafio cirúrgico. A escolha da tela e o manejo de complicações infecciosas evoluíram significativamente. Antigamente, a infecção de uma tela sintética era sinônimo de reoperação para explantação. Atualmente, o conceito de 'salvamento de tela' (mesh salvage) com curativos de pressão negativa transformou o prognóstico. Telas macroporosas permitem a drenagem de secreções e a incorporação tecidual mesmo na presença de bactérias. Já as telas biológicas, embora resistentes à infecção inicial, perdem força tênsil rapidamente por degradação enzimática, levando a altas taxas de recidiva, o que limita seu uso rotineiro.
Sim, especialmente se a tela for de polipropileno monofilamentar e macroporosa. Essas características permitem que o tecido de granulação cresça através dos poros e que o sistema imunológico combata a infecção local. O uso de terapia por pressão negativa (VAC) tem demonstrado sucesso no salvamento dessas telas sem necessidade de remoção.
Embora as telas biológicas tenham sido promovidas para uso em campos contaminados, elas apresentam altas taxas de estiramento e recorrência da hérnia (muitas vezes superiores a 30%). Além disso, seu custo é extremamente elevado e as evidências atuais sugerem que telas sintéticas macroporosas podem ser usadas com segurança similar em muitos cenários contaminados.
O diabetes mellitus, especialmente quando mal controlado, é um fator de risco independente para infecção do sítio cirúrgico, deiscência de ferida e recorrência da hérnia. Ele prejudica a síntese de colágeno e a microcirculação, fundamentais para a integração da tela e cicatrização da aponeurose.
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