Hérnia Incisional: Reparo com Tela Retrorretal (Rives)

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 55 anos de idade, com história de laparotomia mediana há 2 anos devido à diverticulite colônica e peritonite fecal. No 6º mês após a cirurgia, notou o surgimento de abaulamento mediano, redutível, doloroso em topografia da cicatriz cirúrgica. Realizou tomografia computadorizada do abdome que evidenciou a presença de hérnia incisional mediana em região mesogástrica medindo 12x5 cm (comprimento x largura). Em relação à hérnia incisional, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Alterações no metabolismo do colágeno, como a elevação na proporção do colágeno tipo 1:3, associada à menor atividade das metaloproteinases da matriz extracelular podem contribuir para maior probabilidade no surgimento de hérnias incisionais e recidiva herniária após hernioplastias.
  2. B) A hernioplastia incisional com o emprego de tela apresenta menor taxa de recidiva herniária com 5 anos de pós-operatório em comparação à herniorrafia incisional sem tela, todavia, após 10 anos do reparo herniário, não há diferença significante em relação à recorrência herniária entre o grupo com tela e sem tela.
  3. C) O emprego de telas biológicas no reparo das hérnias incisionais apresenta menor risco de complicações pós-operatórias precoces e menor taxa de recidiva herniária tardia em relação ao uso de telas sintéticas (ex. polipropileno.
  4. D) A hernioplastia incisional com emprego de tela retrorretal (técnica de Rives é uma opção terapêutica adequada para correção de hérnias incisionais como descrito no caso acima.

Pérola Clínica

Hérnia incisional grande (12x5cm) → reparo com tela retrorretal (Rives) é técnica adequada para fechamento sem tensão.

Resumo-Chave

A técnica de Rives (reparo retrorretal) é indicada para hérnias incisionais de médio a grande porte, pois permite o fechamento da linha média sem tensão e a colocação da tela em um plano bem vascularizado, com menor risco de infecção e recidiva.

Contexto Educacional

Hérnias incisionais são complicações comuns após laparotomias, com incidência que pode chegar a 20%. Fatores de risco incluem obesidade, infecção de sítio cirúrgico, doença pulmonar obstrutiva crônica e alterações no metabolismo do colágeno. O diagnóstico é clínico, confirmado por exames de imagem como a tomografia computadorizada. A fisiopatologia envolve uma falha na cicatrização da fáscia abdominal. O tratamento é cirúrgico, e a escolha da técnica depende do tamanho da hérnia, presença de contaminação e características do paciente. A técnica de Rives, ou reparo retrorretal, é uma opção robusta para hérnias maiores, permitindo a colocação de uma tela sintética em um plano anatômico com boa vascularização, minimizando a tensão e otimizando os resultados a longo prazo. O manejo adequado das hérnias incisionais é crucial para evitar recidivas e melhorar a qualidade de vida do paciente. A compreensão das diferentes técnicas, como a de Rives, e a seleção apropriada do material da tela (sintética vs. biológica) são fundamentais para o residente de cirurgia, visando a melhor abordagem terapêutica e a prevenção de complicações pós-operatórias.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para o reparo de hérnia incisional com tela retrorretal?

A técnica de Rives é indicada para hérnias incisionais de médio a grande porte, especialmente aquelas com perda de substância ou que necessitam de fechamento da linha média sem tensão, proporcionando um plano seguro para a tela.

Qual a diferença entre telas sintéticas e biológicas no reparo de hérnias incisionais?

Telas sintéticas (ex: polipropileno) são duráveis e de baixo custo, ideais para campos limpos. Telas biológicas são usadas em campos contaminados ou pacientes de alto risco, mas com maior custo e sem superioridade comprovada em taxas de recidiva em casos limpos.

Quais são as principais complicações da cirurgia de hérnia incisional?

As complicações incluem infecção do sítio cirúrgico, seroma, hematoma, dor crônica, lesão de órgãos adjacentes e, mais importante, a recidiva herniária, que pode ser minimizada com técnicas adequadas e seleção de tela.

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