Hérnia Incisional: Manejo da Recidiva Aguda e Uso de Tela

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Homem de 57 anos, retorna à consulta no 14º dia após cirurgia de hernia incisional, supraumbilical, sem tela sintética. Havia desenvolvido esta hérnia na incisão para tratamento de esplenectomia por trauma abdominal fechado. O orifício herniário era de 7x10 cm. A sutura da aponeurose foi realizada com fio de poligalactina-0 em sutura contínua. Há dois dias teve vários espirros por rinite, dor na incisão e abaulamento agudo. Tomou dipirona e usou bolsa de água morna. Está sem dor usando cinta elástica. A conduta deve ser:

Alternativas

  1. A) Manter analgesia, cinta elástica e solicitar exames sanguíneos.
  2. B) Solicitar Rx de tórax e abdome para avaliar perfuração intestinal.
  3. C) Programar cirurgia videolaparoscópica para exame da parede abdominal.
  4. D) Solicitar TC do abdome para definir a reoperação e reparo da parede com uso de tela de polipropileno microporosa.
  5. E) Pode ser realizada punção no local do abaulamento para aspiração de hematoma ou seroma da região cirúrgica.

Pérola Clínica

Abaulamento agudo pós-esforço em PO de hérnia → Suspeitar de recidiva/evisceração → TC + Reoperação com tela.

Resumo-Chave

Hérnias incisionais grandes (>6cm) reparadas sem tela e com fios absorvíveis apresentam altíssimo risco de falha técnica e recidiva precoce sob estresse abdominal.

Contexto Educacional

O manejo de hérnias incisionais complexas exige compreensão da biomecânica da parede abdominal. O caso ilustra uma falha técnica comum: o fechamento primário de um grande defeito (7x10 cm) com fio absorvível e sem reforço protético. O aumento súbito da pressão intra-abdominal (espirros) levou à deiscência da sutura. A conduta atual preconiza que defeitos maiores que 2 cm devem ser corrigidos com telas. A escolha da tela de polipropileno microporosa e o planejamento por TC são passos fundamentais para o sucesso da reoperação, visando restaurar a linha média e prevenir novas recidivas.

Perguntas Frequentes

Por que o uso de tela é obrigatório em hérnias incisionais grandes?

Hérnias com orifícios maiores que 2 cm apresentam taxas de recidiva proibitivas quando fechadas apenas com sutura primária (técnica 'tension-free' vs 'tissue-to-tissue'). A tela de polipropileno fornece o suporte estrutural necessário para resistir à pressão intra-abdominal, reduzindo drasticamente a falha do reparo.

Qual a utilidade da TC de abdome neste cenário pós-operatório?

A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para avaliar a integridade da parede abdominal, diferenciar seromas/hematomas de recidivas verdadeiras (evisceração encoberta) e planejar a estratégia cirúrgica, identificando o conteúdo herniado e as dimensões exatas do defeito.

Por que o fio de poligalactina-0 não foi a melhor escolha?

A poligalactina é um fio absorvível. Em reparos de parede abdominal sujeitos a alta tensão, prefere-se fios inabsorvíveis (como polipropileno) ou de absorção lenta (como PDS), associados obrigatoriamente ao uso de próteses (telas) para garantir a força tênsil a longo prazo.

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