AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Homem de 57 anos, retorna à consulta no 14º dia após cirurgia de hernia incisional, supraumbilical, sem tela sintética. Havia desenvolvido esta hérnia na incisão para tratamento de esplenectomia por trauma abdominal fechado. O orifício herniário era de 7x10 cm. A sutura da aponeurose foi realizada com fio de poligalactina-0 em sutura contínua. Há dois dias teve vários espirros por rinite, dor na incisão e abaulamento agudo. Tomou dipirona e usou bolsa de água morna. Está sem dor usando cinta elástica. A conduta deve ser:
Abaulamento agudo pós-esforço em PO de hérnia → Suspeitar de recidiva/evisceração → TC + Reoperação com tela.
Hérnias incisionais grandes (>6cm) reparadas sem tela e com fios absorvíveis apresentam altíssimo risco de falha técnica e recidiva precoce sob estresse abdominal.
O manejo de hérnias incisionais complexas exige compreensão da biomecânica da parede abdominal. O caso ilustra uma falha técnica comum: o fechamento primário de um grande defeito (7x10 cm) com fio absorvível e sem reforço protético. O aumento súbito da pressão intra-abdominal (espirros) levou à deiscência da sutura. A conduta atual preconiza que defeitos maiores que 2 cm devem ser corrigidos com telas. A escolha da tela de polipropileno microporosa e o planejamento por TC são passos fundamentais para o sucesso da reoperação, visando restaurar a linha média e prevenir novas recidivas.
Hérnias com orifícios maiores que 2 cm apresentam taxas de recidiva proibitivas quando fechadas apenas com sutura primária (técnica 'tension-free' vs 'tissue-to-tissue'). A tela de polipropileno fornece o suporte estrutural necessário para resistir à pressão intra-abdominal, reduzindo drasticamente a falha do reparo.
A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para avaliar a integridade da parede abdominal, diferenciar seromas/hematomas de recidivas verdadeiras (evisceração encoberta) e planejar a estratégia cirúrgica, identificando o conteúdo herniado e as dimensões exatas do defeito.
A poligalactina é um fio absorvível. Em reparos de parede abdominal sujeitos a alta tensão, prefere-se fios inabsorvíveis (como polipropileno) ou de absorção lenta (como PDS), associados obrigatoriamente ao uso de próteses (telas) para garantir a força tênsil a longo prazo.
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