SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Paciente de 75 anos, obesa, está sendo submetida a correção de hérnia incisional por técnica aberta em incisão mediana infraumbilical, por cesariana feita há 50 anos. Após liberação dos tecidos e tratamento do saco hernário, o defeito contava com cerca de 15 cm de diâmetro. Neste caso, qual das condutas a seguir é a mais adequada?
Hérnia incisional > 2cm ou volumosa → Uso de tela (preferencialmente retromuscular/sublay) para reduzir recidiva.
Defeitos herniários grandes (15 cm) em pacientes obesos exigem reforço com prótese; a posição retromuscular (atrás do reto) oferece melhor integração e menor taxa de complicação.
O manejo de hérnias incisionais complexas em pacientes obesos representa um desafio cirúrgico significativo. Defeitos maiores que 10-15 cm frequentemente requerem não apenas a colocação de tela, mas também técnicas de separação de componentes para permitir o fechamento da fáscia sem tensão excessiva. A escolha da prótese e seu posicionamento são determinantes para o sucesso a longo prazo. O plano retromuscular é considerado o 'gold standard' por muitos especialistas devido à excelente incorporação da tela e menores taxas de infecção de sítio cirúrgico em comparação com o posicionamento supra-aponeurótico (Onlay). A integração da tela ao tecido conjuntivo do paciente cria uma parede abdominal funcional e resistente.
O fechamento primário de grandes defeitos fasciais (geralmente acima de 2-3 cm) resulta em uma linha de sutura sob extrema tensão, especialmente em pacientes obesos com pressão intra-abdominal elevada. Isso leva à isquemia tecidual, falha da sutura e uma taxa de recidiva inaceitavelmente alta. O uso de telas (reparo 'tension-free') revolucionou o tratamento, reduzindo drasticamente as recorrências.
A técnica de Sublay (ou Rives-Stoppa) posiciona a tela atrás dos músculos retos abdominais e à frente da fáscia transversal/peritônio. Esta localização é vantajosa pois a própria pressão intra-abdominal ajuda a manter a tela no lugar contra a musculatura. Além disso, a tela fica bem vascularizada pelo contato muscular e protegida do contato direto com as alças intestinais, reduzindo o risco de fístulas e aderências.
Telas mistas (como polipropileno com materiais absorvíveis) ou telas com barreira (PTFE/celulose) são indicadas principalmente quando há necessidade de contato direto com as vísceras (posição intraperitoneal/IPOM), para evitar aderências firmes. No caso de reparo retromuscular, uma tela de polipropileno de macroporos costuma ser suficiente e eficaz, mas telas compostas podem ser usadas dependendo da técnica específica e disponibilidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo