PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 53 anos se apresenta na sua clínica com queixa de protuberância abdominal e desconforto ocasional. Diz que a protuberância piora quando fica em pé, causa dor ao longo do dia, quando ela está ativa, e parece estar aumentando ao longo do último ano. A paciente não apresenta sintomas obstrutivos neste momento. Tem um histórico de uma laparotomia mediana para trauma há 10 anos e um reparo de hérnia ventral há seis anos, com tela sintética. Teve um episódio de celulite no pós-operatório que foi tratado com antibióticos orais. A paciente tem diabetes, que é controlado com medicamentos orais, e, no mais, é saudável. No exame físico, tem um grande defeito abdominal palpável. A tomografia computadorizada revelou um defeito mediano de 6 cm, contendo omento e intestino delgado, bem como dois defeitos adicionais de 1cm, superiormente ao primeiro e sem evidência de obstrução.\n\nEm relação às complicações do reparo das hérnias, qual das seguintes opções é VERDADEIRA?
Infecção de sítio cirúrgico em hérnias: 0-12% (limpas) a 34% (contaminadas).
O risco de infecção em cirurgias de hérnia varia drasticamente conforme o grau de contaminação do sítio cirúrgico, sendo a tela um fator de risco para persistência da infecção.
O reparo de hérnias incisionais é um dos procedimentos mais comuns na cirurgia geral, mas carrega taxas significativas de morbidade. A classificação de Altemeier para feridas cirúrgicas é fundamental para prever o risco de infecção do sítio cirúrgico (ISC). Em casos limpos, a taxa de ISC é relativamente baixa (até 12%), mas em cenários de contaminação, esse número triplica, exigindo cautela no uso de telas sintéticas.\n\nA fisiopatologia das complicações envolve a integração da tela ao tecido hospedeiro. O seroma, embora comum, deve ser manejado com cuidado para não introduzir patógenos. A compreensão de que a maioria das infecções é causada por flora cutânea (Gram-positivos) direciona a antibioticoprofilaxia e o tratamento de resgate.
Diferente do que muitos pensam, os organismos mais comuns identificados em infecções de tela são micro-organismos gram-positivos, com destaque para o Staphylococcus aureus, e não gram-negativos como Klebsiella ou Proteus. A presença de material protético favorece a formação de biofilme, o que torna a erradicação da infecção sem a remoção da tela extremamente difícil em muitos casos clínicos.
A colocação de drenos é comum em grandes dissecções para evitar seromas e hematomas, porém sua eficácia na prevenção de seromas é debatida. Eles devem ser removidos o mais precocemente possível, geralmente quando o débito é inferior a 30 ml em 24 horas, para minimizar o risco de infecção ascendente (retrógrada) que pode colonizar a tela sintética.
Não existe um limite estrito de seis meses para definir infecção de tela. Complicações infecciosas relacionadas a próteses podem se manifestar precocemente (semanas) ou de forma muito tardia, ocorrendo meses ou até anos após a implantação, muitas vezes apresentando-se como fístulas crônicas ou abscessos recorrentes no sítio da cicatriz cirúrgica.
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