MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 54 anos, com histórico de duas cesáreas e uma colecistectomia aberta prévias, procura atendimento devido a um abaulamento indolor na linha média do abdome que aumenta aos esforços. Ao exame físico, apresenta uma hérnia incisional na cicatriz da laparotomia mediana infraumbilical, com um defeito herniário palpável de aproximadamente 10 cm de diâmetro transverso, redutível. A paciente tem Índice de Massa Corporal (IMC) de 33 kg/m² e é tabagista ativa. Com base nos princípios atuais de tratamento das hérnias incisionais complexas e na técnica de Rives-Stoppa, assinale a alternativa correta.
Rives-Stoppa = Tela retromuscular (atrás do reto, à frente da bainha posterior).
A técnica de Rives-Stoppa é o padrão-ouro para hérnias incisionais complexas, posicionando a tela em um espaço bem vascularizado e protegido pela musculatura.
O reparo de hérnias incisionais grandes (especialmente > 10 cm) exige técnicas que distribuam a tensão de forma eficaz. A técnica de Rives-Stoppa utiliza o princípio de Pascal, onde a pressão abdominal mantém a tela contra a parede muscular, reforçando o fechamento. É considerada superior às técnicas 'onlay' (sobre a aponeurose) e 'inlay' (em ponte) devido às menores taxas de recidiva. A técnica envolve a dissecção do espaço retromuscular e o fechamento da bainha posterior para isolar a tela da cavidade peritoneal. A tela de polipropileno de baixa gramatura é frequentemente utilizada devido à sua excelente integração tecidual e baixo custo, sendo preferível às telas biológicas na maioria dos cenários de cirurgia limpa ou potencialmente contaminada.
A tela é posicionada no espaço retromuscular, que fica entre o corpo do músculo reto abdominal e a sua bainha posterior (acima da linha arqueada) ou o peritônio/fáscia transversalis (abaixo da linha arqueada). Isso permite que a pressão intra-abdominal ajude a manter a tela no lugar contra a musculatura.
Este espaço é altamente vascularizado, o que favorece a integração da tela e a resistência a infecções. Além disso, evita o contato da tela com as alças intestinais (reduzindo fístulas) e com o tecido subcutâneo (reduzindo seromas e infecções de sítio cirúrgico).
Sim, o uso de tela é essencial para evitar a recidiva em defeitos grandes. No entanto, tabagismo e obesidade são fatores de risco para complicações de ferida operatória, sendo recomendada a otimização pré-operatória (cessação do fumo e perda de peso) sempre que possível.
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