Hérnia Hiatal de Deslizamento: Manejo Clínico e Cirúrgico

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente, feminina, 75 anos, IMC: 32, sem outras comorbidades, vem ao consultório médico com queixa de azia e quadro dispéptico. A azia tem melhora com inibidor de bomba protônica em dose de manutenção. Após anamnese e exame físico, foi solicitada uma endoscopia alta que evidenciou uma hérnia hiatal de deslizamento, com a junção esofago-gástrica a 5 cm do pinçamento diafragmático.Assinale a alternativa correta a respeito desta patologia

Alternativas

  1. A) As hérnias hiatais do tipo III são aquelas em que existe a hérnia de deslizamento e outras estruturas associadas; por exemplo, o grande omento
  2. B) Apenas 10% de todas as hérnias hiatais são do tipo I, e poucas precisam de tratamento cirúrgico.
  3. C) A grande maioria das hérnias paraesofágicas são do tipo II, em torno de 90%. Apenas uma minoria das hérnias paraesofágicas são do tipo III.
  4. D) Nesta paciente, como ele controla a sintomatologia do refluxo gastroesofâgico com inibidor da bomba protônica, a cirurgia da hérnia hiatal não está indicada, sendo melhor manter o tratamento conservador
  5. E) As hérnias hiatais do tipo II, assintomáticas, devem sempre ser operadas, independente da idade e condições clínicas do paciente, devido ao risco de isquemia e perfuração.

Pérola Clínica

Hérnia hiatal de deslizamento (Tipo I) com sintomas controlados clinicamente → tratamento conservador.

Resumo-Chave

A hérnia hiatal de deslizamento (Tipo I) é a mais comum e geralmente benigna. A indicação cirúrgica é reservada para casos de sintomas refratários ao tratamento clínico otimizado ou para hérnias paraesofágicas (Tipo II, III, IV) com risco de complicações, sempre individualizando a conduta.

Contexto Educacional

As hérnias hiatais são condições comuns, caracterizadas pela protrusão de parte do estômago através do hiato esofágico do diafragma. A mais prevalente é a hérnia de deslizamento (Tipo I), que ocorre quando a junção esofagogástrica e uma porção do estômago se deslocam superiormente. Sua importância clínica reside principalmente na associação com a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A classificação das hérnias hiatais é crucial para o entendimento da patologia e da conduta. Enquanto a Tipo I é predominantemente tratada clinicamente, as hérnias paraesofágicas (Tipos II, III e IV) apresentam maior risco de complicações graves, como volvo gástrico, estrangulamento e perfuração, o que pode justificar a intervenção cirúrgica mesmo em pacientes assintomáticos, dependendo da avaliação de risco-benefício. O manejo da hérnia hiatal deve ser individualizado. Para pacientes com hérnia de deslizamento e sintomas de DRGE bem controlados com inibidores de bomba protônica e modificações de estilo de vida, o tratamento conservador é a abordagem preferencial. A cirurgia, geralmente fundoplicatura, é reservada para falha do tratamento clínico, complicações ou para os tipos de hérnia com risco inerente de morbidade e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Qual a classificação das hérnias hiatais?

As hérnias hiatais são classificadas em quatro tipos: Tipo I (de deslizamento, a mais comum), Tipo II (paraesofágica pura), Tipo III (mista, deslizamento + paraesofágica) e Tipo IV (mista com outras vísceras herniadas).

Quando a cirurgia é indicada para hérnia hiatal?

A cirurgia é indicada para hérnias de deslizamento com sintomas de refluxo gastroesofágico refratários ao tratamento clínico e para hérnias paraesofágicas sintomáticas ou com alto risco de complicações, como estrangulamento.

Qual a diferença entre hérnia hiatal de deslizamento e paraesofágica?

Na hérnia de deslizamento (Tipo I), a junção esofagogástrica e parte do estômago deslizam para o tórax. Na paraesofágica (Tipo II), a junção permanece na posição normal, mas o fundo gástrico hernia ao lado do esôfago.

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