Hérnia Femoral Encarcerada: Diagnóstico e Técnica de McVay

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Dona Irene, 74 anos, procura a unidade de emergência queixando-se de dor intensa em região inguinal direita com 12 horas de evolução, associada a episódios de vômitos biliosos e parada de eliminação de gases e fezes. Ao exame físico, a paciente encontra-se desidratada e taquicárdica. Nota-se um abaulamento de aproximadamente 2,5 cm, endurecido, não redutível e extremamente doloroso à palpação, localizado abaixo do ligamento inguinal e lateralmente ao tubérculo púbico. Diante da principal hipótese diagnóstica e da necessidade de intervenção cirúrgica imediata, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A técnica de McVay é uma opção cirúrgica clássica e adequada para o tratamento, pois utiliza o ligamento pectíneo (de Cooper) para o fechamento do anel femoral.
  2. B) A técnica de Lichtenstein, com fixação da tela no tubérculo púbico e ligamento inguinal, é considerada o padrão-ouro absoluto para o tratamento primário de hérnias femorais encarceradas.
  3. C) Caso a paciente apresente estabilidade hemodinâmica, a manobra de Taxe deve ser realizada sob sedação na emergência para reduzir o conteúdo e postergar o procedimento cirúrgico.
  4. D) O ligamento inguinal (de Poupart) representa o limite medial do canal femoral, sendo a estrutura que frequentemente causa o estrangulamento do conteúdo herniário.

Pérola Clínica

Hérnia abaixo do ligamento inguinal + lateral ao tubérculo = Femoral (alto risco de estrangulamento).

Resumo-Chave

Hérnias femorais ocorrem pelo canal femoral, medial aos vasos femorais. Devido ao anel rígido, apresentam alto risco de encarceramento, exigindo correção cirúrgica (ex: McVay).

Contexto Educacional

A hérnia femoral é mais comum em mulheres idosas devido à anatomia da pelve e gestações prévias. Representa uma urgência cirúrgica frequente, pois o anel femoral é estreito e rígido, predispondo ao estrangulamento do conteúdo (frequentemente omento ou alça de intestino delgado). O diagnóstico é clínico, baseado na palpação de massa dolorosa e irredutível abaixo do ligamento inguinal. O tratamento é sempre cirúrgico. A técnica de McVay utiliza o ligamento de Cooper para reforçar a parede posterior e fechar o canal femoral. Em cenários modernos, o uso de telas (plug femoral ou técnica de Lichtenstein modificada) é comum, mas o conhecimento da anatomia e das técnicas teciduais permanece essencial para provas de residência e situações de contaminação onde telas são evitadas.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença anatômica entre hérnia inguinal e femoral?

A principal diferença reside na relação com o ligamento inguinal (de Poupart). Enquanto as hérnias inguinais (diretas e indiretas) emergem acima do ligamento inguinal, as hérnias femorais (ou crurais) protruem através do canal femoral, localizando-se abaixo do ligamento inguinal e lateralmente ao tubérculo púbico. Anatomicamente, o canal femoral é delimitado superiormente pelo ligamento inguinal, inferiormente pelo ligamento pectíneo (Cooper), lateralmente pela veia femoral e medialmente pelo ligamento lacunar (Gimbernat).

Por que a técnica de McVay é indicada para hérnias femorais?

A técnica de McVay é uma das poucas técnicas de reparo tecidual (sem tela, embora possa ser associada) que aborda efetivamente o canal femoral. Ela consiste na sutura do tendão conjunto (músculo transverso e oblíquo interno) ao ligamento pectíneo (de Cooper). Ao fixar o tecido ao ligamento de Cooper, o cirurgião consegue obliterar o espaço femoral, impedindo a recorrência da hérnia femoral, algo que a técnica de Shouldice ou Lichtenstein convencional não faz de forma primária sem modificações.

Quais os riscos da manobra de Taxe em hérnias estranguladas?

A manobra de Taxe (redução manual) é contraindicada em casos de suspeita de estrangulamento ou encarceramento prolongado (geralmente > 6-12 horas). O risco principal é a 'redução em bloco', onde o saco herniário é reduzido com o conteúdo ainda isquêmico ou gangrenado para dentro da cavidade peritoneal. Isso pode levar a uma peritonite generalizada e sepse, pois o segmento intestinal necrótico não foi ressecado, mascarando a gravidade do quadro clínico inicial.

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