INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025
Mulher de 69 anos foi submetida a tomografia de abdome para avaliação de coluna. O exame revelou achado incidental de hérnia femoral direita com conteúdo de gordura pré-peritoneal. A paciente tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica, diabetes e fibrilação atrial, com adequado controle clínico. Em virtude do achado de imagem, foi solicitada avaliação da equipe de cirurgia. Avaliação clínica: bom estado geral, IMC: 29 kg/m2; abdome globoso, flácido e indolor. Discreto abaulamento, indolor, abaixo da prega inguinal direita. Assinale qual é a conduta mais adequada relacionada à hérnia dessa paciente.
Hérnias femorais, mesmo assintomáticas, têm alto risco de encarceramento/estrangulamento e devem ser reparadas cirurgicamente, independente de sintomas.
Hérnias femorais possuem um colo estreito e rígido, o que as torna particularmente propensas a complicações graves como encarceramento e estrangulamento, mesmo quando pequenas e assintomáticas. Por isso, a conduta padrão é o reparo cirúrgico eletivo para evitar emergências.
As hérnias da parede abdominal são condições comuns, e a hérnia femoral, embora menos frequente que a inguinal, merece atenção especial devido ao seu alto potencial de complicações. Ela se manifesta como um abaulamento abaixo do ligamento inguinal, medialmente aos vasos femorais, e é mais comum em mulheres e idosos. A fisiopatologia da hérnia femoral está relacionada à passagem de conteúdo abdominal (geralmente gordura pré-peritoneal ou alça intestinal) através do anel femoral, um espaço anatômico estreito e rígido. Essa característica anatômica é a razão pela qual as hérnias femorais têm um risco significativamente maior de encarceramento (conteúdo herniário preso, mas viável) e estrangulamento (isquemia e necrose do conteúdo) em comparação com outros tipos de hérnia. Devido a esse risco elevado de complicações graves e potencialmente fatais, a conduta para hérnias femorais, mesmo quando assintomáticas ou com sintomas mínimos, é o reparo cirúrgico eletivo. A cirurgia visa prevenir o encarceramento e o estrangulamento, que exigiriam uma intervenção de emergência com morbimortalidade muito maior. O prognóstico pós-operatório é geralmente bom, mas a decisão de operar deve considerar as comorbidades do paciente, como no caso da paciente idosa com HAS, DM e FA, que devem estar clinicamente otimizadas.
Hérnias femorais ocorrem abaixo do ligamento inguinal, medialmente aos vasos femorais, enquanto as inguinais ocorrem acima do ligamento. Femorais são mais comuns em mulheres e têm maior risco de complicação.
O anel femoral é um orifício estreito e rígido, o que facilita o encarceramento do conteúdo herniário e a consequente isquemia e estrangulamento, mesmo com hérnias de pequeno volume.
Dor intensa e súbita na região da hérnia, abaulamento irredutível, sinais de obstrução intestinal (náuseas, vômitos, distensão abdominal) e, no caso de estrangulamento, sinais de peritonite e sepse.
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