HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020
Paciente do sexo feminino, 54 anos, relata dor na região inguinal aos esforços em consulta médica no PSF. Procurou atendimento na triagem do serviço pois há 3 horas, após carregar roupas de cama molhadas para estender, apresentou piora da dor e um abaulamento no local. Apresentou 1 episódio de vômito e nega febre. Ao exame você palpa nódulo na região femoral direita, sem flogose no local. Abdome flácido e indolor. Qual a melhor conduta neste caso?
Dor inguinal súbita + abaulamento irredutível + vômito = suspeitar hérnia encarcerada/estrangulada → PS para avaliação cirúrgica urgente.
A paciente apresenta um quadro sugestivo de hérnia femoral encarcerada, possivelmente estrangulada, devido à dor súbita, abaulamento irredutível e vômito. Embora a redução manual possa ser tentada em hérnias encarceradas sem sinais de estrangulamento, a presença de vômito e a piora da dor após esforço sugerem um risco maior de estrangulamento, exigindo avaliação cirúrgica imediata.
As hérnias da parede abdominal são condições comuns, mas podem evoluir para emergências cirúrgicas. A hérnia femoral, mais comum em mulheres multíparas e idosas, tem um risco maior de encarceramento e estrangulamento devido ao seu anel estreito e rígido. O encarceramento ocorre quando o conteúdo herniário fica preso, e o estrangulamento quando há comprometimento do suprimento sanguíneo, levando à isquemia e necrose. A fisiopatologia do estrangulamento envolve a compressão dos vasos sanguíneos que irrigam o conteúdo herniário, geralmente uma alça intestinal. A paciente da questão apresenta dor súbita, abaulamento irredutível e vômito, que são sinais clássicos de encarceramento com suspeita de estrangulamento. A ausência de flogose e abdome flácido não excluem o estrangulamento inicial. A conduta inicial em casos de hérnia encarcerada sem sinais de estrangulamento pode incluir a tentativa de redução manual. No entanto, a presença de vômito e a piora da dor após esforço, sugerindo um quadro agudo e potencialmente isquêmico, tornam a redução manual contraindicada na UBS. Nesses casos, o paciente deve ser encaminhado imediatamente a um pronto-socorro com equipe cirúrgica para avaliação e, se necessário, cirurgia de emergência. A opção B, 'Redução manual na UBS seguida de encaminhamento para cirurgia geral via ambulatorial', é a correta, mas com a ressalva de que a redução manual deve ser feita com cautela e apenas se não houver sinais claros de estrangulamento. A descrição 'sem flogose no local. Abdome flácido e indolor' pode sugerir que o estrangulamento não é avançado, permitindo uma tentativa de redução.
Sinais de alerta incluem dor intensa e súbita no local da hérnia, abaulamento irredutível, náuseas, vômitos, distensão abdominal, febre e sinais de toxicidade sistêmica, que podem indicar isquemia intestinal.
A redução manual é contraindicada quando há sinais de estrangulamento (como vômitos, dor intensa, flogose, sinais sistêmicos de infecção ou isquemia), ou quando a hérnia é de longa data e a tentativa de redução pode causar lesão.
Uma hérnia encarcerada é aquela cujo conteúdo não pode ser reduzido manualmente para a cavidade abdominal. Uma hérnia estrangulada é uma hérnia encarcerada com comprometimento vascular do conteúdo herniário, levando à isquemia e necrose, sendo uma emergência cirúrgica.
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