HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Homem, de 33 anos de idade, sem comorbidades ou cirurgias prévias, compareceu á unidade de emergência com queixa de parada de eliminação de flatos e fezes há 24 horas. Também notou o aparecimento de abaulamento na região inguinal esquerda. Ao exame, mantém frequência cardíaca de 98bpm, frequência respiratória de 18irpm e pressão arterial de 110x70mmHg. O abdome está plano, flácido e doloroso à palpação superficial difusamente. Foi submetido a uma tomografia de abdome, que evidenciou a alteração que pode ser vista nas imagens a seguir: Sobre a patologia diagnosticada neste paciente, assinale a alternativa correta:
Hérnia inguinal/femoral encarcerada → Dor abdominal, parada de flatos/fezes, abaulamento inguinal. Limites do anel femoral: trato iliopúbico, ligamento de Cooper, veia femoral, ligamento lacunar.
A descrição dos limites anatômicos do anel femoral (trato iliopúbico, ligamento de Cooper, veia femoral e ligamento lacunar) é crucial para entender a fisiopatologia e o diagnóstico das hérnias femorais. Essas hérnias, embora menos comuns que as inguinais, têm maior risco de encarceramento e estrangulamento, manifestando-se com sintomas de obstrução intestinal e abaulamento na região inguinal.
As hérnias na região inguinal são condições cirúrgicas comuns, sendo as inguinais as mais frequentes, seguidas pelas femorais. O paciente do caso apresenta um quadro de obstrução intestinal (parada de eliminação de flatos e fezes) associado a um abaulamento inguinal, sugerindo uma hérnia encarcerada ou estrangulada, uma emergência cirúrgica. A identificação precisa do tipo de hérnia é crucial para o manejo adequado. Anatomicamente, a região inguinal é complexa. As hérnias inguinais diretas e indiretas emergem através do canal inguinal, acima do ligamento inguinal. Já as hérnias femorais (ou crurais) emergem através do anel femoral, que está localizado abaixo do ligamento inguinal e medialmente à veia femoral. Os limites do anel femoral são: superiormente, o trato iliopúbico; inferiormente, o ligamento de Cooper; lateralmente, a veia femoral; e medialmente, o ligamento lacunar. O conhecimento desses limites é fundamental para a diferenciação diagnóstica e para a técnica cirúrgica. No contexto de uma hérnia encarcerada ou estrangulada, como sugerido pelo quadro clínico e pela TC, a intervenção cirúrgica é urgente. As hérnias femorais, apesar de menos comuns, apresentam um risco significativamente maior de encarceramento e estrangulamento devido à rigidez de seus limites. A taxa de recidiva após a correção cirúrgica varia dependendo da técnica utilizada e do tipo de hérnia, mas avanços nas técnicas cirúrgicas (como o uso de telas) têm reduzido essas taxas consideravelmente.
Uma hérnia encarcerada manifesta-se com dor intensa e súbita na região do abaulamento, que se torna irredutível. Se houver estrangulamento, pode haver sinais de obstrução intestinal (náuseas, vômitos, parada de eliminação de flatos e fezes) e sinais sistêmicos de isquemia (taquicardia, febre, dor à palpação difusa).
A hérnia inguinal emerge acima do ligamento inguinal, podendo ser direta (através da parede posterior do canal inguinal) ou indireta (através do anel inguinal profundo). A hérnia femoral (crural) emerge abaixo do ligamento inguinal, através do anel femoral, sendo mais comum em mulheres e com maior risco de encarceramento.
A TC de abdome é valiosa para confirmar o diagnóstico de hérnia, identificar o conteúdo herniário (alças intestinais, omento), avaliar sinais de encarceramento ou estrangulamento (edema, líquido livre, espessamento da parede intestinal) e diferenciar de outras causas de dor abdominal aguda na região inguinal.
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