HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem de 55 anos, trabalhador de construção civil, estava aguardando cirurgia eletiva para correção de hérnia inguinal à direita há um ano. Procura PS, pois há 8 horas notou abaulamento em hérnia que não diminuiu, evoluindo com dor intensa local, sem melhora com analgésicos, apresentando 2 vômitos na última hora. Ao exame observado distensão abdominal, e abaulamento inguinal com hiperemia local e dor intensa à palpação. Qual o diagnóstico e conduta mais apropriada para o caso?
Hérnia irredutível + dor intensa + sinais sistêmicos (vômitos, distensão) + hiperemia local → Hérnia Estrangulada = Cirurgia de urgência.
A hérnia estrangulada é uma emergência cirúrgica caracterizada pela isquemia do conteúdo herniado, geralmente intestino, devido à compressão vascular. Diferencia-se da hérnia encarcerada pela presença de sinais de sofrimento vascular e sistêmicos, exigindo intervenção cirúrgica imediata para evitar necrose e sepse.
Hérnias abdominais são comuns, e a hérnia inguinal é a mais frequente. Uma complicação grave é o encarceramento, quando o conteúdo herniário não pode ser reduzido. Mais grave ainda é o estrangulamento, uma emergência cirúrgica que ocorre quando o suprimento sanguíneo do conteúdo herniado é comprometido, levando à isquemia e necrose. É crucial diferenciar o encarceramento do estrangulamento para um manejo adequado. A fisiopatologia do estrangulamento envolve a compressão dos vasos sanguíneos que irrigam o conteúdo herniado, geralmente uma alça intestinal, resultando em isquemia, edema, inflamação e, eventualmente, necrose. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história de dor intensa e súbita na hérnia, irredutibilidade do abaulamento, sinais inflamatórios locais (hiperemia, calor, dor à palpação) e sintomas sistêmicos de obstrução intestinal e sofrimento vascular, como náuseas, vômitos e distensão abdominal. A suspeita deve ser alta em pacientes com hérnia prévia que apresentam esses sintomas. O tratamento da hérnia estrangulada é cirúrgico e deve ser realizado com urgência. A conduta mais apropriada é a correção por inguinotomia (ou laparotomia em casos de dúvida ou complicação intra-abdominal), visando liberar o conteúdo herniado, avaliar sua viabilidade e, se necessário, ressecar segmentos necróticos. Diferentemente da hérnia encarcerada sem sinais de estrangulamento, onde manobras de redução podem ser tentadas, na hérnia estrangulada a redução manual é contraindicada devido ao risco de reintroduzir tecido necrótico na cavidade abdominal, levando a peritonite e sepse.
Os sinais e sintomas de uma hérnia estrangulada incluem dor intensa e súbita na região da hérnia, abaulamento irredutível, hiperemia e sensibilidade local. Sintomas sistêmicos como náuseas, vômitos, distensão abdominal e febre podem indicar obstrução intestinal e sofrimento vascular.
A hérnia encarcerada é aquela cujo conteúdo não pode ser reduzido manualmente, mas não apresenta sinais de isquemia. Já a hérnia estrangulada é uma hérnia encarcerada com comprometimento do suprimento sanguíneo do conteúdo herniado, levando à isquemia e necrose, e manifestando-se com dor intensa e sinais sistêmicos.
A conduta para uma hérnia estrangulada é uma emergência cirúrgica. Após estabilização do paciente com analgesia e hidratação, a correção deve ser feita por inguinotomia ou laparotomia, dependendo do caso, para avaliar a viabilidade do conteúdo herniado e ressecar segmentos necróticos, se necessário.
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