Hérnia de Disco Lombar: Diagnóstico Clínico e Conduta

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 32 anos, sexo masculino, previamente hígido, apresenta dor lombar aguda intensa com irradiação para o membro inferior esquerdo iniciada há 2 dias. A dor não possui relação com a deambulação e nem com a mudança de posição, apresentando melhora parcial no repouso. O controle de esfíncteres anal e vesical está normal, porém o paciente relata piora da dor ao defecar (ao realizar manobra de Valsalva). Ao exame clínico, sinal de Lasègue à esquerda; força grau 5 para todos os grupos musculares dos membros inferiores; reflexo aquileu esquerdo abolido e parestesias na planta e face lateral do pé esquerdo. Os demais itens do exame neurológico e geral estão normais. Considerando o provável diagnóstico, qual a melhor conduta a ser adotada nesse caso?

Alternativas

Pérola Clínica

Reflexo aquileu ↓ + Parestesia lateral do pé + Lasègue+ = Radiculopatia de S1 (Hérnia L5-S1).

Resumo-Chave

A compressão da raiz de S1 manifesta-se com dor irradiada, sinal de Lasègue positivo e alteração do reflexo aquileu. Na ausência de déficits motores graves ou síndrome da cauda equina, a conduta inicial é conservadora.

Contexto Educacional

A hérnia de disco lombar resulta do deslocamento do núcleo pulposo através do anel fibroso, comprimindo raízes nervosas. A raiz de S1 é frequentemente afetada por hérnias no nível L5-S1. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na distribuição da dor e nos achados neurológicos focais. A manobra de Valsalva aumenta a pressão intratecal, exacerbando a dor radicular. O tratamento cirúrgico é reservado para casos de dor intratável, déficit motor significativo ou síndrome da cauda equina, priorizando-se sempre a abordagem conservadora inicial em pacientes hígidos e estáveis.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de alerta (red flags) na dor lombar?

Os sinais de alerta que indicam a necessidade de investigação imediata incluem: perda de peso inexplicada, febre, história de neoplasia, trauma significativo, déficit motor progressivo ou grave, anestesia em sela e disfunção esfincteriana (sugestivos de síndrome da cauda equina). Na ausência desses sinais, a maioria das lombociatalgias agudas pode ser manejada inicialmente de forma conservadora por 4 a 6 semanas.

Como diferenciar as radiculopatias de L4, L5 e S1?

A radiculopatia de L4 afeta o reflexo patelar e a face medial da perna. L5 causa fraqueza na dorsiflexão do hálux e parestesia no dorso do pé. S1, como no caso, altera o reflexo aquileu, causa parestesia na borda lateral e planta do pé, e pode enfraquecer a flexão plantar. O sinal de Lasègue é positivo em compressões de L4-L5 e L5-S1.

Qual a conduta inicial na hérnia de disco sem déficit motor?

A conduta inicial baseia-se no tratamento conservador, que inclui analgesia (AINEs, analgésicos comuns, relaxantes musculares), repouso relativo (evitar atividades que sobrecarreguem a coluna) e fisioterapia após a fase aguda. Cerca de 80-90% dos pacientes apresentam melhora significativa dos sintomas em até 6 semanas sem necessidade de intervenção cirúrgica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo